Qual candidato ao novo agente 007 encarnaria melhor o James Bond?
Callum Turner, Josh O
O mistério é apropriado para uma franquia de espionagem, embora o MI6 provavelmente tenha problemas bem mais urgentes para resolver no mundo real. Felizmente, esse não é o meu caso. Na minha comparação muito peculiar, baseada mais em aparência que em mérito, o veredito é o seguinte.
Callum Turner parece ser o pacote completo. Com 1,87 m de altura e um passado como modelo da Burberry, no mínimo dos mínimos sabemos que ele funciona bem como cabide de alta alfaiataria. Além disso, é marido da estrela pop Dua Lipa. Se for o escolhido, ela poderia interpretar uma bela "Bond girl" e ainda gravar a música-tema do filme. Duas preocupações econômicas a menos para a produção.
Contra ele —ou a favor, a depender da sua disposição para o absurdo— pesa uma cena bem pouco bonderiana em "Rosebush Pruning", do brasileiro Karim Aïnouz, na qual seu personagem masturba o próprio pai usando pasta de dente. O filme está nos cinemas e chega à Mubi em 13 de novembro. Veja se tiver coragem.
Josh O'Connor é, de longe, o nome mais prestigiado do trio. Já provou que sabe interpretar tanto sujeitos soturnos —afinal, levou o Emmy e o Globo de Ouro na pele do jovem príncipe Charles em "The Crown"— quanto figuras de alto teor erótico, como em "Rivais", de Luca Guadagnino, dividindo a tela com Zendaya e o incrível, extraordinário e gatíssimo Mike Faist.
A propósito, se meu sobrenome fosse Broccoli —como o da família que, por décadas, deu as cartas na franquia 007— e não Ribeiro, Faist seria meu James Bond.
Com 1,85 m, O'Connor também sabe carregar um bom terno. Tem a mesma altura de Jack Lowden, mas com uma vantagem tática —bem menos cara de Mr. Darcy, o arquetípico galã de "Orgulho e Preconceito", romance publicado pela genial Jane Austen em 1813. Interpretar Mr. Darcy é quase um rito de passagem compulsório na carreira dos atores britânicos. Veja os casos de Laurence Olivier e Colin Firth, só para citar os mais famosos.
Se formos nos ater às minúcias físicas dos candidatos —e por que não?, afinal, para atores britânicos, disputar o papel de 007 é o equivalente masculino a ser escalado no casting das angels da Victoria's Secret—, entre as orelhas de abano de Turner e de O'Connor, fico com as de Turner. Se é para ostentar uma característica marcante na tela grande, que seja marcante de verdade.
Jack Lowden é o bom menino do trio. A escolha corporativa de menor risco. Ruivo, talentosíssimo e escocês como o lendário Sean Connery, ele não faz ninguém tremer ao entrar em cena — seja vestindo sunga ou smoking, os dois figurinos indispensáveis na bagagem do espião.
Na ótima série "Slow Horses", Lowden interpreta justamente um agente do MI5 relegado a um departamento de fracassados. Tem, portanto, experiência prática no ramo da espionagem, ainda que sem o glamour característico de James Bond.
Tão bom moço é Lowden que se casou com a boa menina Saoirse Ronan, que continua despertando muito mais meu interesse do que ele.
Indicada quatro vezes ao Oscar, Saoirse é espetacular em quase tudo que faz. Ofusca o marido apagadão e quase todo mundo com quem contracena.
E ele segue seu caminho, aparentemente sem medo da sombra imensa que a mulher vai projetar sobre a casa quando finalmente levar a estatueta de Melhor Atriz para a estante — algo que a humanidade inteira sabe que vai acontecer mais cedo ou mais tarde.
E há o suposto quarto candidato. O The Independent arriscou alguns palpites: Jack Barton ("Heartstopper"), Joe Alwyn (ex-namorado de Taylor Swift) e Jack O'Connell ("Pecadores").
Barton tem uma vantagem curiosa —atuou em "Heróis Desonestos do SAS", série criada por Steven Knight, por acaso o roteirista contratado para o novo 007. Alwyn, por sua vez, traria o tempero pop extra de uma disputa indireta entre sua ex e Dua Lipa na trilha sonora.
Sob a direção do incrível Denis Villeneuve, de "Duna", e sob a gestão da Amazon MGM, a franquia ainda precisa decidir o tom do seu próximo protagonista —um galã tradicional, um sedutor alternativo ou um agente especialista em cometer erros.
Por enquanto, meu voto continua com Mike Faist. Se não posso escolher o novo 007 nas telas do cinema, ao menos posso escolher para quem torcer na plateia.
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