Campo Grande, MS | 26°C | 02 de Novembro de 2026
AO VIVO 16:28
Política

Flávio Covarde Bolsonaro, um homem sem qualidades

Falta de coragem é o pior dos vícios em um político

Flávio Covarde Bolsonaro, um homem sem qualidades

De que massa é feito um líder? Esta é uma daquelas perguntas que tem ocupado filósofos, investigadores e estrategas ao longo dos tempos. Há muitos atributos considerados essenciais: a visão, a inteligência, a oratória.

Mas há uma outra condição diferenciadora fundamental: ser corajoso. Tudo aquilo que Flávio Bolsonaro mostrou não ser.

Já Aristóteles dizia que "a coragem é a primeira das qualidades humanas, porque garante todas as outras".

Se pensarmos bem, a coragem está sempre presente em todos os políticos carismáticos. Coragem para se expor na vida pública, para tomar decisões difíceis, para levantar a voz contra as injustiças —até coragem física perante uma ameaça.

Coragem não é, claro, a ausência de medo, é a forma como se escolhe lidar com ele. Resistir e ficar, dominando-o. Ou avançar, apesar dele.

E é nas situações de adversidade que se vê o caráter e a força dos grandes líderes.

Lembro-me do grande Ulysses Guimarães, que durante a ditadura militar brasileira, perante um cerco da polícia, com armas e cães, afastou com a mão o cano de um fuzil e gritou: "Respeitem o líder da oposição!". Mais tarde diria "baioneta não é voto, cachorro não é urna".

Ou Humberto Delgado, o "general sem medo" que concorreu às fraudulentas eleições presidenciais durante o Estado Novo. Quando lhe perguntaram o que faria a Salazar se fosse eleito, respondeu "obviamente, demito-o". Seria assassinado sete anos depois.

Ou Nelson Mandela, que no julgamento em que enfrentava a pena de morte, fez questão de assumir todos os seus atos e os seus valores inalienáveis e foi condenado a prisão perpétua.

Ou Salvador Allende, que cercado em La Moneda, disse que jamais renunciaria, e que preferia pagar com a sua vida a lealdade do povo chileno.

Ou Alexei Navalny, que sobreviveu a um envenenamento e voltou voluntariamente para Moscou, sabendo que seria preso —e acabou morto numa prisão russa.

Foram, todos eles, homens maiores.

E depois, no extremo oposto da escala de estatura moral, está Flávio Bolsonaro —o fujão.

Ele mostrou ser não apenas um golpista, mas também um traidor que, perante uma ameaça, pensou com as pernas. Tinha quase 60 milhões de razões para ficar. Mas nem assim foi capaz de enfrentar a justiça do seu país, como fez Lula da Silva.

Corrupto ainda não está provado que seja. Mas Covarde já passou a ser seu nome do meio. E vai ficar para a história como um homem sem qualidades.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Poder
Ver na fonte
Compartilhe

Comentários 0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.

0