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Com leilão, baterias ganham cadeira no setor elétrico, diz associação

Diretor-executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia defende o uso estratégico das baterias. Leia no Poder360.

18/06/2026 05:00 Poder360 · Poder360 0 visualizações há 2 horas
Com leilão, baterias ganham cadeira no setor elétrico, diz associação

Diretor-executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia defende inclusão da tecnologia no planejamento energético do país

O 1º leilão de baterias do Brasil dará ao segmento de armazenamento de energia uma cadeira no setor elétrico do país, disse o diretor-executivo da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Fabio Monteiro Lima.

Em entrevista ao Poder360, o executivo disse que a consolidação das baterias no país ainda depende de uma série de avanços regulatórios, burocráticos e operacionais, já que a tecnologia prevê um modelo de negócio que ainda não opera comercialmente em larga escala no Brasil. 

“Agora vem uma série de renovações e de revisões na burocracia que são inerentes, porque agora tem mais uma cadeira no setor elétrico. Era geração, transmissão e distribuição, comercialização e o papel relevante do consumidor. Agora eu tenho um novo ator, que é o armazenamento de energia, e a gente precisa de mais uma cadeira, precisa puxar mais um prato. Isso vai gerar mais algumas revisões de formatação no setor nos próximos anos”, disse Lima. 

O diretor defende que a realização do leilão marcado para dezembro e a integração das baterias no SIN (Sistema Elétrico Nacional) são passos relevantes, mas afirma que o setor ainda precisa avançar em necessidades básicas, como a inserção da tecnologia no planejamento energético nacional. 

“A gente completou nas últimas duas semanas o 1º ciclo de regulação e implantação do armazenamento no Brasil. Temos lei desde dezembro do ano passado, temos regulação com normas gerais e temos o 1º grande leilão. Ótimo. Agora, a gente precisa caminhar pelas próximas aplicações que estão fora do leilão: inserir o armazenamento no planejamento energético de forma definitiva, inserir o armazenamento no planejamento da transmissão”, afirma Lima. 

O executivo afirma que as baterias têm potencial para fazer o papel de outros sistemas de transmissão e podem dar conta de parte do déficit de potência do país ao injetar energia na rede em horários de alta demanda. Para isso, segundo Lima, o setor deve progredir na interação com o armazenamento distribuído e o armazenamento vinculado diretamente aos geradores de energia centralizados.

Lima projeta ainda que o setor precisa cuidar de questões tributárias, de licenciamento, de operação ambiental e normas operacionais de segurança. 

“A lei trouxe a figura do armazenamento, mas hoje ainda não temos o código de classificação na Receita Federal da atividade de armazenamento de energia. Esse é o nível que a gente vai ter que trabalhar”, diz o executivo. 

Assista a entrevista de Fabio Lima ao Poder360 (32min5s):

https://www.youtube.com/watch?v=uDe_d3F7ofg

O diretor da Absae defende que há espaço no setor elétrico para todas as soluções de energia, mas entende que é natural que haja uma eventual competição entre segmentos.

“Todo mundo sabe que o Brasil precisa de baterias, mas naturalmente, como eu vou ser competidor, em alguma parcela, de produtos que outras soluções atendem, há um debate de competição. Essa guerra tecnológica sempre vai haver, e vão vir uma série de soluções. E essas soluções vão discutir as suas vantagens e desvantagens”, afirma. 

Fabio Lima cita os trade-offs como uma característica inerente ao setor elétrico, em que diferentes tecnologias competem, mas também se complementam. Ele entende que a resposta para eventuais conflitos não é a escolha de uma única tecnologia, mas a construção de um portfólio diversificado de soluções que utilize cada uma para o risco que ela melhor atende.

“O armazenamento hidráulico, por exemplo, é uma solução muito interessante que exige um investimento inicial muito alto por ter uma vida útil muito longa. Se você tem mais disponibilidade de caixa, tem mais planejamento central, você vai para um investimento maior, com retorno de longo prazo. A bateria é hiper modular: vai do quilowatt/hora ao gigawatt/hora. É implantada em 6 a 12 meses e tem uma vida útil mais curta de 15 a 20 anos”, afirma o diretor.

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