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Brasil deve agir para não perder a janela do minério verde

Decisões sobre licenciamento, logística e planejamento podem definir a posição do país nas cadeias globais. Leia no Poder360.

18/06/2026 05:00 Poder360 · Poder360 0 visualizações há 2 horas
Brasil deve agir para não perder a janela do minério verde

A transição para uma economia de baixo carbono costuma ser tratada como um desafio ambiental. Na prática, também representa uma das maiores oportunidades industriais e econômicas das próximas décadas. Poucos setores ilustram isso tão bem quanto a mineração.

O mundo busca formas de reduzir as emissões associadas à produção de aço, insumo essencial para infraestrutura, energia, mobilidade e habitação. Nesse contexto, ganha relevância o chamado minério verde, capaz de atender às novas exigências dos mercados internacionais e das cadeias produtivas que caminham para metas cada vez mais rigorosas de descarbonização.

O Brasil tem condições de ocupar uma posição de liderança nesse movimento. O país tem reservas minerais de alta qualidade, matriz elétrica predominantemente renovável e experiência exportadora. Ainda assim, transformar esse potencial em protagonismo exige, além de vantagens naturais, decisão, coordenação e velocidade.

A corrida global já começou, e o ritmo se acelera. Países concorrentes avançam na criação de ambientes regulatórios capazes de atrair investimentos de longo prazo. Projetos industriais associados à produção de insumos para o aço de baixa emissão demandam previsibilidade, segurança jurídica, coordenação institucional e processos de licenciamento compatíveis com a complexidade dos empreendimentos.

Isso não significa flexibilizar regras, mas construir mecanismos mais eficientes, transparentes e previsíveis. O investidor precisa saber as etapas a cumprir, os critérios a serem avaliados e o horizonte temporal a considerar para a tomada de decisão. Em um setor intensivo em capital, a incerteza também tem um custo. Cada ano perdido representa uma fatia de mercado que outro país ocupa.

“O Brasil não corre o risco de ficar para trás por falta de minério, tecnologia ou capacidade empresarial. O risco está em perder competitividade para países que conseguem transformar potencial em projetos com mais previsibilidade e velocidade de execução”, afirmou Lucas Kallas, presidente do conselho da Cedro Participações.

A experiência mostra que a iniciativa privada está disposta a fazer sua parte. Empresas brasileiras vêm apostando em tecnologias que reduzem impactos ambientais, ampliam a eficiência operacional e agregam valor à produção mineral. É o caso da Cedro Mineração, que investe em projetos voltados à produção de pellet feed de alta qualidade, destinado à fabricação de aço com menor intensidade de carbono, além de adotar práticas como empilhamento a seco e reaproveitamento de água.

O pellet feed é a matéria-prima ideal para uma forma mais moderna e limpa de fazer aço, que usa gás natural ou até hidrogênio no lugar do carvão, reduzindo as emissões de CO₂ em até 50% na comparação com o método tradicional, segundo a Cedro. As grandes siderúrgicas do mundo que estão tentando se tornar mais sustentáveis dependem justamente desse tipo de minério.

Leia mais no infográfico sobre a mineração e o minério verde.

O Brasil sai na frente nessa disputa, com um minério extraído que tem exatamente as características para atender essa demanda. Por isso, o país tem muito a ganhar com a transição do setor siderúrgico para uma produção mais limpa. Trata-se de uma oportunidade histórica.

É importante destacar, porém, que o esforço empresarial, por si só, não será suficiente para consolidar uma estratégia nacional. O país precisa alinhar instrumentos de política pública, planejamento logístico, regulação ambiental e incentivos à inovação. Não se trata de escolher entre Estado e iniciativa privada. Trata-se de reconhecer que a competitividade internacional dependerá de uma capacidade de coordenação que precisa acontecer no momento presente. 

Os benefícios potenciais são expressivos. Um estudo da ​​EY-Parthenon estima que a adoção de iniciativas ESG (meio ambiente, social e governança, na sigla em inglês) na mineração pode render R$ 399 bilhões por ano para a economia brasileira e criar mais de 3 milhões de empregos. Esses números ajudam a dimensionar o tamanho da oportunidade em jogo e o custo de deixá-la passar.

A discussão sobre minério verde não deve se restringir ao setor mineral, pois envolve política industrial para a inserção competitiva do Brasil em uma economia global cada vez mais orientada por critérios de sustentabilidade. O protagonismo brasileiro dependerá da capacidade de transformar a visão de longo prazo em ações coordenadas, com a clareza de que a janela está aberta, mas não ficará assim para sempre.

Este conteúdo foi produzido e pago pela Cedro Participações. As informações e os dados divulgados são de total responsabilidade do autor.

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