Varejo, saúde e construção lideram tombo do Ibovespa pós-eleições
Maiores baixas do dia estão em setores mais sensíveis a juros
Uma série de empresas mais sensíveis aos juros, como as varejistas, companhias de saúde e incorporadoras imobiliárias, registravam as maiores perdas do Ibovespa nesta segunda-feira (26).
A Bolsa brasileira registra forte queda nesta segunda-feira (26), após o presidente Lula (PT) vencer o segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro, frustrando as apostas de parte do mercado na vitória do candidato do PL.
Por volta das 13h30, o Magazine Luiza despencava 56,81%, enquanto a C&A recuava 48,91%. Também registravam fortes quedas as ações do Assaí (39,98%), Renner (35,18%) e Azzas (35,14%).
No setor de saúde, que também é afetado pelos juros elevados devido ao encarecimento dos custos de financiamento, a Hapvida registrava queda de 45,18%, enquanto a Rede D'Or recuava 20,74% e o Fleury, 18,72%.
As construtoras também recuam em bloco nesta segunda-feira. Por volta das 14h30, MRV e Cyrela lideravam as perdas do setor, com quedas de 42,40% e 42,02%, respectivamente. Em seguida, aparecem Tenda, Direcional e Cury, com recuos de 25,59%, 24,39% e 21,53%. Dos 76 papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas oito registravam alta.
A Cosan, que tem elevado endividamento, registrava queda de 48,26%.
A desvalorização dessas empresas está relacionada ao receio dos investidores de que a continuidade de uma política de gastos elevados no governo Lula dificulte o controle da dívida pública e a redução dos juros. Taxas mais altas encarecem o crédito, prejudicam o consumo e aumentam os custos de financiamento das companhias, pressionando seus resultados.
Os bancos também registravam perdas expressivas, depois de subirem na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro. Por volta das 13h50, as ações do BTG Pactual caíam 32,86%, enquanto as do Banco do Brasil recuavam 29,28%. O Bradesco registrava queda de 23,85%, e o Itaú, de cerca de 15,07%.
Entre as poucas ações em alta do índice estavam as de empresas exportadoras, que recebem boa parte de suas receitas em dólar e podem se beneficiar da valorização da moeda americana, que está em disparada. Isso porque, com o dólar mais caro, os valores recebidos no exterior aumentam quando convertidos em reais.
MAIORES ALTAS
Dos 77 papéis listados no Ibovespa, apenas sete tinham alta na tarde desta segunda.
A maior alta era da Suzano, cujas ações avançavam 8,84% por volta das 13h50. Já a Vale, uma das empresas de maior peso no Ibovespa, subia 4,89%. Também registravam ganhos as ações da Embraer, WEG, Bradespar e Klabin.
Diante da forte pressão vendedora, a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker antes mesmo da abertura do mercado à vista. O sistema interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas, com o objetivo de conter a volatilidade.
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