Campo Grande, MS | 26°C | 15 de Junho de 2026
AO VIVO 07:53
Economia

Trilhão de Elon Musk escancara uma verdade sobre mercado de ações

Empresário se tornou o primeiro trilionário da história com entrada da SpaceX na Bolsa

14/06/2026 22:00 Folha Mercado 0 visualizações há 9 horas
Trilhão de Elon Musk escancara uma verdade sobre mercado de ações

O fato de Elon Musk se tornar o primeiro trilionário da história escancara uma verdade que muita gente ignora sobre o mercado de ações, principalmente quem pensa que vai ficar rico comprando o papel certo na hora certa.

Para entrar na Bolsa de Valores, a SpaceX foi avaliada em US$ 1,77 trilhão. Como Musk tem cerca de 40% da empresa, seu patrimônio, com o novo movimento, passou da casa de um trilhão de dólares. Uma fortuna que, segundo a Oxfam, é maior do que a riqueza acumulada por 46% da população mundial, cerca de 3,8 bilhões de pessoas.

A concentração de riqueza é óbvia. E uma análise do New York Times chamou atenção para outro aspecto dessa concentração de capital no mundo: grande parte da fortuna dos bilionários está alocada em ações de empresas.

Olhando para essa informação, você deve imaginar que os ricaços simplesmente compram ações e, como têm mais dinheiro, lucram mais, em termos absolutos. Essa é uma das explicações, mas existe outro ponto que talvez seja mais importante. E que fica muito claro no caso de Elon Musk.

Ele não ficou trilionário comprando ações da SpaceX. Assim como Jeff Bezos não fez fortuna investindo em papéis da Amazon. Nem a família Gerdau criou um império aplicando em ações da siderúrgica.

Todos eles fizeram o movimento contrário: criaram e compraram empresas, captaram recursos para expandi-las vendendo parte delas ao mercado, mantendo grandes participações nos negócios. A fortuna de Musk não nasceu na Bolsa. Ela foi amplificada pela Bolsa.

No Brasil, a concentração de ações de empresas nas mãos de fundadores ou controladores é muito chamativa. Segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), 32% das empresas listadas aqui têm um único acionista com mais de metade do capital. Nos 38 países-membros da OCDE, consideradas economias mais desenvolvidas, esse percentual é de 16%.

Quando a análise leva em conta empresas cujos três maiores acionistas ficam com mais da metade do negócio, chegamos ao número de 61% das companhias brasileiras, contra 33% na média dos países da OCDE.

Comprar ações continua sendo uma forma eficiente de participar do crescimento econômico, diversificar patrimônio e proteger riqueza da inflação. Mas as maiores fortunas surgem do outro lado da mesa. De quem usa o mercado para catapultar o próprio negócio. Captando dinheiro, não necessariamente investindo.

A função econômica do mercado financeiro não é, por si, criar concentração, mas conectar poupança e empreendedorismo, permitindo que empresas financiem expansão, inovação e crescimento. Os bilionários criados nesse meio do caminho tiveram acesso a volumes crescentes de capital em momentos decisivos de sua trajetória.

E a verdade é que sem investidores minoritários nada disso seria possível. Por isso eles deveriam ser protegidos pelas instituições e respeitados por quem tem o controle das companhias, com transparência e boa governança. Sem confiança, não existiriam investidores para dar a liquidez aos empreendedores que, muitas vezes, acabam com a maior fatia do bolo.

Compartilhar:

Comentários (0)

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro!