Setor produtivo pede fim de veto que permite congelamento de agências
Setores da economia defendem maior previsibilidade financeira para órgãos responsáveis pela supervisão de mercados.
Entidades representativas de diversos setores da economia publicaram nesta segunda-feira (15) um manifesto em defesa da derrubada do veto do presidente Lula ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) vigente que proibia o contingenciamento de recursos destinados às agências reguladoras.
Segundo as associações, o contingenciamento das agências pode afetar o próprio setor produtivo, tanto na indústria de transformação quanto na prestação de serviços.
O veto retira os gastos internos das agências, quando destinados a atividades de regulamentação e fiscalização, do rol de despesas protegidas contra contingenciamentos. A orientação para vetar o trecho do projeto da LDO partiu do Ministério da Fazenda, que sustentou haver contrariedade ao interesse público.
"A ampliação do rol de despesas discricionárias ressalvadas de eventual contingenciamento reduziria a flexibilidade e a liberdade dos órgãos na gestão de suas próprias despesas orçamentárias, visto que essas despesas seriam originalmente discricionárias. Além disso, dificultaria o cumprimento das regras fiscais", argumentou a pasta.
Segundo as 47 entidades que assinam o manifesto, a fundamentação do governo "desconsidera que agências sem previsibilidade orçamentária perdem sua capacidade de atuação", comprometendo vistorias e processos de licenciamento, o que pode atrasar atividades empresariais de diversos portes.
"O resultado não é economia real; é o aumento da insegurança jurídica e do risco regulatório, fatores que afastam o capital, desestimulam novos investimentos e prejudicam o crescimento econômico, o emprego e a renda. Não há responsabilidade fiscal sólida sem estabilidade institucional", apontam.
As associações acrescentam que as agências reguladoras são instituições de Estado e que sua atuação plena garante "regras claras, serviços públicos eficientes e um ambiente seguro para quem investe e trabalha no Brasil". Nesse sentido, cobram uma resposta do Poder Legislativo.
A última reunião deliberativa do Congresso Nacional ocorreu na segunda quinzena de maio para a análise de vetos de interesse da Confederação Nacional dos Municípios, que promovia em Brasília a Marcha dos Prefeitos.
Na ocasião, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), solicitou aos líderes partidários que buscassem internamente um novo acordo para a votação de vetos presidenciais, a fim de viabilizar uma nova reunião do Congresso no início de junho. O governo aceitou abrir a negociação.
Na época, Alcolumbre sugeriu que o encontro fosse convocado na semana do dia 8 deste mês ou nesta semana, iniciada no dia 15. No entanto, até o momento não houve convocação na agenda oficial do Congresso Nacional.
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