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Rússia teme impacto da eleição nos EUA em negociação sobre Ucrânia

Putin contava com guinada pró-Kremlin de Trump na reabertura das conversas mediadas pelos EUA

Rússia teme impacto da eleição nos EUA em negociação sobre Ucrânia

A onda democrata que varreu as urnas americanas nas eleições de meio de mandato finalizadas nesta terça-feira (3) acendeu o sinal de alerta na Rússia. O Kremlin afirmou esperar que a vitória oposicionista não tenha impacto nas negociações mediadas por Donald Trump acerca da Guerra na Ucrânia.

Segundo disse nesta quarta (4) o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, o governo russo "conta sinceramente com Trump continuando com seus esforços pacificadores".

A apreensão é compreensível. Nos últimos meses, Trump voltou a alinhar-se à visão de Putin sobre a guerra, que prevê perdas territoriais e neutralidade ucranianas.

O americano questionou novamente a legitimidade de Volodimir Zelenski e os Estados Unidos promoveram cortes na cobertura de satélite militar e alertas antecipados à Ucrânia.

Tudo isso mirava as "midterms", as eleições legislativas da terça. Com o preço dos combustíveis em alta devido à sua guerra no Irã, Trump buscou pressionar a Ucrânia a não atacar mais o sistema energético da Rússia porque havia fechado um acordo de compra de diesel com Putin.

O arranjo, que agora poderá ser objeto de questionamento no novo Congresso que assumirá em janeiro, foi duramente criticado em Kiev e na Europa. Zelenski manteve os ataques, mas a venda do derivado aos EUA seguiu, embora sem afetar significativamente preços ou intenções de voto.

Desde que voltou ao poder no ano passado, Trump aproximou-se de Putin e reverteu a oposição absoluta da Casa Branca sob Joe Biden ao Kremlin na guerra. O esforço não logrou resultados práticos, com os russos insistindo em sua posição, então houve um vaivém nesse processo.

Após o fracasso em chegar a uma solução na cúpula que ofereceu a Putin no Alasca em agosto de 2025, Trump passou a criticar o russo. Com a guerra no Irã, os EUA se retiraram da mediação até a questão eleitoral do diesel se impor.

As conversas entre russos e ucranianos irão recomeçar, sob a tutela americana, em Abu Dhabi na próxima semana. Como elas evoluirão com a perspectiva de um Trump mais pressionado em casa a não ceder a Putin é incerto, e não se pode descartar uma escalada de violência por parte de Moscou.

Já Zelenski ficou numa posição delicada, pois não pode celebrar abertamente a vitória democrata sob risco de ser engolido nas negociações e pela eventual cúpula tripartite entre Trump, Putin e Xi Jinping, que pode ocorrer na China neste mês.

Assim, sua sinalização pública até agora foi uma mesura a Trump: ele concedeu uma honraria de Estado à mulher do americano, Melania, por seu papel em mediar esforços de paz na Ucrânia.

Na semana passada, uma trégua que a Casa Branca atribuiu a um pedido da primeira-dama permitiu a evacuação de civis de uma cidade sitiada pelos russos no sul do país invadido em 2022.

Nesta quinta (5), Melania deverá receber em Washington uma comitiva com russos e ucranianos para falar sobre a experiência, o cessar-fogo mais bem-sucedido até aqui no conflito.

A guerra em si continua, com ataques mútuos. Em outra área onde uma trégua parcial tem interrupções frequentes, em torno da usina nuclear de Zaporíjia, ocupada pelos russos, houve novos ataques e duas pessoas morreram, inclusive uma funcionária da instalação. Não houve risco radioativo.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mundo
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