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Proibir as bets funciona?

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Proibir as bets funciona?

Tudo no Brasil é feito na base do bundalelê. Na hora de liberar as bets foi assim e agora na proibição. No Senado, em consulta pública no site da Casa, mais de 80% da população quer o fim da farra. No STF, o clima é de cabo de guerra entre governo, clubes e entidades. A reação das pessoas é óbvia e compreensível: diante de famílias arruinadas, dívidas impagáveis e postos de saúde tentando desarmar a bomba do vício armada pelos jogos, quem não quer ver tudo banido de uma vez?

O Brasil está colhendo o que plantou: abriu o jogo sem planejamento, sem medir o tranco na saúde, sem botar freio na publicidade que tomou conta da TV, dos estádios, do perfil de tudo quanto é influenciador. Escancararam a porteira sem trava no Pix, tudo pelo sonho da arrecadação fácil. Sob a ótica do estrago, a vontade é de aplaudir a canetada de pé. Mas convém calçar as sandálias da realidade: proibir as bets pura e simplesmente funciona no mundo real?

Passar do "libera geral" à proibição absoluta é trocar uma irresponsabilidade por outra, num ambiente de total insegurança jurídica em que empresas globais pensarão dez vezes antes de investir num país com regras tão voláteis. A experiência internacional mostra o preço dessa ilusão. Na Itália, que em 2018 baniu anúncios e patrocínios, o mercado ilegal explodiu: oito anos depois, movimenta 20 bilhões de euros ao ano, o dobro do setor formal. O jogo clandestino avançou entre menores e o Senado italiano já discute flexibilizar a lei porque perdeu o controle. A Índia proibiu as apostas em 2025 e viu milhões de usuários pularem via VPN para sites em paraísos fiscais, onde a lei não alcança.

Se proibir tudo só alimenta o crime, qual a saída? Acabar com os cassinos virtuais de resultado instantâneo, caça-níqueis feitos para fritar o cérebro de quem joga. Por outro lado, as apostas esportivas precisam ficar sob rédea curtíssima: teto no Pix por CPF, tolerância zero para propaganda com celebridades e atendimento psicológico financiado pelo próprio setor no SUS. Canetada só vai jogar o problema para debaixo do tapete.

Fonte original Publicado originalmente por UOL
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