Petistas comemoram vitória de Lula, e bolsonaristas contestam resultado
Nos aplicativos de mensagem, 64% das opiniões de apoiadores de Flávio contestavam eleição e 1% a reconhecia
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou por volta das 21h deste domingo a reeleição de Lula, com 52% dos votos válidos, depois de um dia marcado por denúncias de falta de ônibus, pela prorrogação da votação até as 19h, e por uma pausa na divulgação da apuração.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) esclareceu que a medida valia só para as seções ainda abertas, e que a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia pedido mais duas horas de votação em cidades com chuva. Por volta das 22h45, Flávio disse em coletiva que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição, com o argumento de que a prorrogação mudou a regra quando parte das urnas já estava fechada. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão de Zanin não provocou nenhuma alteração no pleito, e até o fim da noite nenhum pedido havia sido protocolado.
No monitoramento em mais de 100 mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, somado ao debate no X, a inteligência de narrativas da Palver acompanhou a reação dos dois campos ao resultado até as 23h de domingo. Depois da confirmação da vitória de Lula, quem mais falou nos aplicativos de mensagem foi o campo derrotado, com 51% das opiniões sobre a eleição entre 21h e 23h, contra 40% do campo petista, e depois do pronunciamento de Flávio a fatia bolsonarista chegou a 61%. No X, o campo petista respondeu por 59% das opiniões no mesmo intervalo.
A reação bolsonarista ao resultado foi de contestação. Entre 21h e 23h, 64% das opiniões do campo nos aplicativos de mensagem contestavam a eleição, 13% lamentavam a derrota e 1% a reconhecia, em mensagens isoladas como "sou Bolsonaro mas sei reconhecer a derrota". O lamento atribuía a derrota ao STF e à desunião da direita, com críticas a aliados e a candidatos do primeiro turno. No X, onde o campo é minoria, a reação teve mais lamento e menos contestação, com 24% e 45% das opiniões.
O que se contestava era o processo de apuração e a decisão de Zanin. Entre as opiniões sobre os fatos do dia nos aplicativos de mensagem, a fraude na contagem respondeu por 36% depois do resultado, o golpe judicial por 34% e o pedido de anulação por 18%, e 89% das opiniões com alguma dessas acusações vinham do campo de Flávio. As mensagens ligavam a pausa na divulgação e a vantagem inicial de Lula a uma manipulação, descreviam a prorrogação como o que deu a vitória ao petista.
O pronunciamento de Flávio deu forma oficial a uma reação que a base já havia tomado. Hora a hora, a fatia de bolsonaristas que contestavam a eleição nos aplicativos de mensagem foi de 60% às 21h para 69% às 22h e 79% às 23h, depois da fala, quando a anulação passou a responder por 35% das opiniões sobre os fatos do dia. No mesmo período, o índice de menções positivas a Flávio nos aplicativos de mensagem subiu de 48% para 61%, com a base se reunindo em torno do candidato derrotado.
Já no campo petista, entre 21h e 23h, a reação foi de comemoração. Cerca de 67% das suas opiniões nos aplicativos de mensagem comemoravam a vitória, com o Nordeste e a virada em Minas Gerais como assunto, e a mensagem mais copiada do campo era de parabéns ao presidente pelo quarto mandato. No X, a comemoração respondeu por 51% das opiniões do campo, e outros 37% atacavam o adversário, acima dos 24% registrados durante a prorrogação.
Lula vence as eleições e o país encerra mais um ciclo eleitoral em que o candidato derrotado não reconhece a derrota. Os próximos dias vão definir se a narrativa de contestação segue viva para além da noite do resultado, e a comunicação do TSE será essencial para responder às alegações sobre a prorrogação e a apuração antes que elas se consolidem e aumentem a desconfiança nas instituições.
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