Mercado de suplementos alerta sobre colapso estrutural de whey protein
Daniel Mencacci, CEO da Fitoway, e Abenutri falam em crescimento da demanda e disparada de preços
Executivos de grandes empresas veem a cerveja proteica produzida em larga escala como a próxima fronteira do mercado. Relatos feitos à coluna dizem que as pesquisas acontecem de forma acelerada. Lançada em janeiro de 2025, Beer Protein é a pioneira, mas é uma marca de nicho.
O movimento é observado com preocupação pelas companhias de suplementos alimentares. Seria mais um exemplo de por que o setor de proteína do soro do leite, que tem como exemplo mais popular o whey protein, pode caminhar para o colapso estrutural.
Marcelo Bella, presidente da Abenutri (Associação Brasileira das Empresas de Suplementos Nutricionais), afirma que a demanda pela matéria-prima disparou em múltiplas frentes ao mesmo tempo, já que diferentes indústrias fabricam produtos proteicos.
Segundo a associação, o mercado global da proteína do soro do leite, avaliado em cerca de US$ 15 bilhões, já enfrenta escassez. O quilo do WPC (whey protein concentrado), que custava US$ 4 em 2021, chegou a US$ 40 em 2026, alta de 900%. Bella diz que o ambiente de insumos tem custos proibitivos para fabricantes de menor escala.
Daniel Mencacci, CEO da Fitoway, uma das empresas em crescimento no ramo de suplementos, ressalta que o consumo aumentou "absurdamente".
Ele aponta um fator extra: a popularização das canetas emagrecedoras. Efeitos colaterais do medicamento, como a redução de apetite a náusea, tornam shakes proteicos atrativos para ingestão de proteína.
"É muito mais fácil tomar um shake do que comer um alimento", completa.
Diferentes empresas do segmento importam matéria-prima dos Estados Unidos e essa é disputada cada vez mais por multinacionais e gigantes do setor alimentício ou de bebidas.
Pelos números da Grand View Research, companhias de bebidas funcionais devem movimentar cerca de US$ 335,4 bilhões até 2030. E a motivação vai além da saudabilidade. Há o apelo de marketing da proteína, cada vez mais presente no imaginário do consumidor.
Para a Abenutri, a falsificação e adulteração da proteína acabada estão em expansão, resultado do preço elevado do insumo e da pressão sobre as margens de lucro. O WPC, com 47%, é o insumo de maior demanda. A Fitoway diz que a saída passa por reformulação de mix, busca de fornecedores alternativos e reajuste de preços, medidas que, segundo Mencacci, não são suficientes para compensar a magnitude da crise, por enquanto.