Influência financeira de oligarcas tech em eleições enfrenta rejeição crescente
Sabemos de que lado eles estão na eleição brasileira; nos EUA, pleito próximo aponta para mudança de humor nacional
Os americanos têm uma nova oportunidade de escolher seu oligarca tech mais detestado. Uma série de lançamentos deve reforçar o que pesquisas de opinião já refletem. Os americanos, especialmente os jovens, sentem profunda desconfiança dos bilionários do Vale do Silício.
O diretor e roteirista Aaron Sorkin oferece "O Outro Lado das Redes", um exame das denúncias feitas por uma engenheira do Facebook a um repórter, confirmando que Mark Zuckerberg não tem caráter, intelecto ou maturidade para exercer o poder acumulado à frente da Meta.
Zuckerberg tem disputado a impopularidade com o Voldemort trilionário Elon Musk, objeto de um documentário de Alex Gibney que, com quase quatro horas, vai desafiar sua fé no futuro da humanidade.
No Natal, estreia "Artificial", do diretor Luca Guadagnino, uma cinebiografia do CEO da empresa OpenAI, cuja sucessão de malfeitos inspira manchetes como "Por que Sam Altman Continua em liberdade?".
Já o canadense Nathan Fielder pode ser indicado para um Oscar de melhor diretor pelo extraordinário "You Can See Everything", um documentário sobre Elizabeth Holmes, a fundadora da fraudulenta empresa Theranos.
No momento, o filme mais recente sobre o execrável Peter Thiel é um episódio da série "The Ruling Class", lançada em 2023. O fundador da Palantir tem a rara distinção de ver seu nome aparecer ao lado de "anticristo" nas buscas online.
Mas esses lançamentos não chegaram ao público sem enfrentar o poder da oligarquia vigente. O estúdio Amazon, de Jeff Bezos, suspendeu o acordo para distribuir "Artificial" para proteger uma parceria de US$ 50 bilhões com a OpenAI.
Aaron Sorkin confessou recentemente que temia, a qualquer momento, uma ação judicial da Meta que impedisse o lançamento de "O Outro Lado das Redes" antes das eleições americanas. O Oscar na prateleira de Alex Gibney, um dos maiores documentaristas vivos, não o protegeu de múltiplas ameaças de processos e um boicote de exibição do trailer nas plataformas Meta, TikTok, YouTube e X.
Uma pesquisa divulgada nesta semana revela que a maioria do público nos EUA associa os oligarcas à direita e ao Partido Republicano, que deve perder o controle da maioria na Câmara, nas eleições do próximo dia 3.
Não é à toa que Elon Musk, o doador mais responsável pela reeleição de Donald Trump, decidiu investir, na reta final da campanha, R$ 1,4 bilhão em candidatos republicanos. O Wall Street Journal apurou a nova malvadeza do empresário sul-africano: foi ele que ordenou a desaceleração da versão militar da rede de satélites Starlink na Ucrânia, o que permitiu à Rússia aumentar ataques de mísseis que deixaram dezenas de civis ucranianos mortos, na última semana.
Nesta quarta-feira (21), um juiz do estado do Novo México multou a Meta de Zuckerberg em US$ 25 bilhões por violar a privacidade dos usuários, um esporte favorito do Peter Pan do mal. A influência política global dos oligarcas é indissociável do declínio da indústria de jornalismo independente provocado pelo Facebook ao monopolizar o mercado publicitário e, em seguida, suprimir sua plataforma de conteúdo de notícias.
Sabemos de que lado estão os oligarcas na eleição brasileira. Mas, nos EUA, a eleição de novembro aponta para uma mudança do humor nacional. Na mais cara campanha da história do país, a dinheirama despejada por oligarcas não parece estar comprando proteção.
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