Governador da Califórnia cancela pena de morte de 548 pessoas
Presos ficarão em prisão perpétua; democrata Gavin Newsom citou
O governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, anunciou nesta quinta-feira (5) o cancelamento da pena de morte de 548 detentos no sistema prisional do estado, a maior medida do tipo da história dos Estados Unidos: trata-se de cerca de 25% de todas as pessoas no corredor da morte em todo o país.
Com a medida, os condenados passam a cumprir prisão perpétua sem possibilidade de condicional. Em nota justificando a decisão, Newsom, nome forte do Partido Democrata para concorrer à Casa Branca em 2028, disse ter uma "objeção moral" à pena de morte.
"Matar com a aprovação do Estado é incompatível com os valores da Califórnia, mina a base do nosso sistema legal e diminui todos nós", disse Newsom. "Sei que não podemos executar pessoas no nosso sistema jurídico imperfeito e continuar de acordo com nossos valores morais —os principais sendo a justiça e a dignidade humana."
Dos 50 estados dos EUA, 23 aboliram a pena de morte e seis possuem uma moratória formal à prática. A Califórnia, por exemplo, não realiza uma execução há mais de duas décadas.
"É uma das decisões mais difíceis da minha carreira", prosseguiu o governador, "não porque duvido de sua necessidade para nosso estado, mas porque sei que esse anúncio pode trazer à tona memórias extremamente dolorosas para as famílias das vítimas".
O corredor da morte da Califórnia inclui criminosos notórios, como o serial killer Charles Ng, que estuprou, torturou e matou entre onze e 25 pessoas nos anos 1980, e Cary Stayner, que matou quatro mulheres em 1999.
Newsom deixa o cargo de governador em 2027, quando termina seu segundo mandato à frente do estado com o maior PIB dos EUA, e deve se dedicar à sua pré-campanha para a Presidência. Ele conseguiu eleger como sucessor Xavier Becerra, que será a primeira pessoa de origem latina a ocupar o cargo.
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