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Flávio descarta privatizar Petrobras, mas mercado espera venda de ativos

Plano de governo não é claro sobre planos para estatal e campanha não quis falar sobre o tema

Flávio descarta privatizar Petrobras, mas mercado espera venda de ativos

A campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) garantiu que a privatização da Petrobras não está nos planos de um eventual governo, mas o mercado espera a retomada do processo de venda de ativos e enxugamento da estatal que ocorreu no governo Jair Bolsonaro.

A Petrobras não é citada entre as propostas entregues pelo candidato do PL ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e a assessoria econômica da campanha de Flávio não fala sobre o tema. A assessoria de imprensa do candidato também não respondeu ao pedido de entrevista.

A última declaração pública sobre a estatal foi dada por Adolfo Sachsida, que foi ministro de Minas e Energia de Jair Bolsonaro e é hoje um dos principais assessores de Flávio na área econômica, em vídeo em que falava de estatais de forma geral.

"Se você está ouvindo esse vídeo e é do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Petrobras, saiba de uma coisa: não existirão privatizações de empresas. Nenhuma dessas empresas será tocada", afirmou ele.

A possibilidade de privatização havia sido levantada no fim de agosto por Adriano Pires, que coordena a campanha de Flávio para a área energética e é cotado para comandar a Petrobras ou o MME (Ministério de Minas e Energia) caso o PL vença.

Em entrevista ao SBT News, ele afirmou que não via nenhum problema, "nenhum fantasma", em discutir a capitalização da Petrobras nos moldes do que o governo Jair Bolsonaro fez com a Eletrobras, reduzindo a participação estatal a uma posição minoritária sem poder de influenciar decisões.

Ele citou a Eletrobras e a Vale como exemplos de grandes empresas brasileiras com capital pulverizado. "Pode ter discussão de fazer uma capitalização da Petrobras. Mas isso não está no plano de governo, quem vai decidir é o Congresso Nacional."

Pires é um defensor histórico da privatização da Petrobras. Foi indicado à presidência da estatal por Bolsonaro em 2022, mas desistiu após questionamentos por conflitos de interesse. Procurado pela Folha nas últimas três semanas, ele não quis dar entrevista.

Sachsida disse nesta quinta-feira (22) que prefere não dar entrevistas. Questionado sobre a possibilidade de outra da campanha pessoa falar sobre o tema, não respondeu.

O plano de governo de Flávio não divulga, por exemplo, sobre como será a política de preços dos combustíveis caso ele ganhe a eleição. Promete redução de impostos, mas sem maiores detalhes.

Jair Bolsonaro liberou a estatal para acompanhar diariamente as cotações internacionais, mas recuou após o início da guerra na Ucrânia, no início de 2022, que fez os preços dispararem às vésperas da eleição em que tentaria um segundo mandato.

Passou a pressionar a Petrobras para segurar preços e forçou uma redução temporária do ICMS, empurrando a conta para seu sucessor. Atualmente, a Petrobras opera com preços abaixo das cotações internacionais, alegando que lucra com o petróleo caro e pode segurar os combustíveis.

A Folha conversou com executivos do setor que estiveram com assessores econômicos de Flávio, mas ouviu que eles não costumam falar sobre preço dos combustíveis. Em geral, disseram fontes, escutaram mais do que falaram durante as reuniões com lideranças setoriais.

Não há, também, clareza sobre a estratégia da empresa em caso de um governo Flávio. Com Jair, a Petrobras vendeu ativos considerados à época não estratégicos, como campos produtores de petróleo de menor porte e gasodutos.

A empresa saiu definitivamente da distribuição de combustíveis, com a venda de fatia remanescente na BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, e da Liquigás, distribuidora de botijões de gás de cozinha —negócios que seu concorrente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), promete retomar.

O governo Jair Bolsonaro colocou à venda também oito refinarias da estatal, como parte de plano para concentrar as atuações da empresa nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Conseguiu vender apenas quatro, entre elas a segunda maior do Brasil, a refinaria de Mataripe, na Bahia.

O plano de governo de Flávio cita as refinarias, mas diz apenas que quer "estimular a modernização do refino rumo ao aproveitamento do petróleo nacional", sem deixar claro se essa será atribuição da Petrobras ou do setor privado.

Fala ainda em "favorecer a produção nacional" de fertilizantes, outro segmento abandonado pela estatal durante o governo de seu pai, "para reduzir a dependência externa que fragiliza o agronegócio e a nossa segurança alimentar". Mais uma vez, não indica de onde virão os recursos.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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