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Direitos da menopausa: Mulheres de todas as ideologias, uni-vos!

A menopausa é um assunto de políticas públicas e direitos humanos

14/06/2026 22:00 Mafalda Anjos Folha Poder 0 visualizações há 9 horas
Direitos da menopausa: Mulheres de todas as ideologias, uni-vos!

A menopausa, e o período que a antecede, é uma transição biológica com enorme impacto na saúde das mulheres. Eu tenho 50 anos, sei bem do que falo. Mas a menopausa foi, durante milênios, vivida em privado e em silêncio e totalmente ignorada no discurso público.

Há várias razões que explicam este fenômeno: a invisibilidade e a menorização do papel da mulher na sociedade, menos investigação científica, pouca formação e informação por parte da própria classe médica e da população feminina e, sim, também a vergonha, porque é como se as mulheres tivessem uma espécie de prazo de validade.

Os dados são claros. Quando olhamos, por exemplo, para as doenças relacionadas à idade, mais de 75% delas são provavelmente influenciadas pela menopausa de alguma forma. No entanto, menos de 1% dos estudos científicos publicados abordaram este ângulo. Isto porque a grande maioria do research é feito… em homens.

Historicamente, a menopausa é menos estudada do que outras condições específicas do sexo masculino. E os cientistas acreditam mesmo que muitas mulheres podem ter sido diagnosticadas e estar até a ser medicadas para doenças que não têm, e que são, afinal, sintomas relacionados à menopausa.

Mas, nos últimos anos, houve um avanço significativo: a menopausa emergiu como um tema político e passou a ser vista como uma questão de saúde pública, de igualdade e de direitos humanos. Sim, porque a luta pela paridade feminina também se faz por respeitar e atender às condições esquecidas que afetam só as mulheres.

Melinda Gates, cientista, filantropa e ex-mulher de Bill Gates, pediu há dias uma revolução na menopausa. E começam a surgir cada vez mais vozes em todo o mundo, incluindo no Brasil e em Portugal, a exigir políticas públicas específicas a fim de reduzir os impactos para as mulheres neste período das suas vidas.

Isso passa pelo acesso a assistência médica especifica e consultas da especialidade, a terapias de substituição hormonal, a apoio psicológico e multidisciplinar e até à suplementação que pode aumentar a qualidade de vida.

É preciso falar deste tema e trazê-lo para a agenda pública, para lá dos partidos e ideologias. Não dá mais para continuar a ignorar uma condição que afeta uma fatia enorme da população. Não podemos esquecer aquela frase que lembra que metade do mundo são mulheres e, a outra metade, os filhos delas. Então por que é que continuamos a ser sistematicamente esquecidas?

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