Criação e recriação do futebol
Craques reinventam caminhos e descobrem novos
Nos últimos anos, novas estratégias de jogo se tornaram marcantes no futebol mundial, como a marcação por pressão em todo o campo, a compactação dos setores, os muitos gols decorrentes de bolas paradas, especialmente nos escanteios, e a alternância entre a troca de passes com domínio da bola e a velocidade para chegar ao gol adversário. Os times brasileiros ainda mostram dificuldades nessa evolução.
A marcação por pressão desde a saída de bola do goleiro necessita ser em bloco, intensa. Não existe meia pressão, como falam. Quando não é possível pressionar quem está com a bola, a melhor solução é recuar, fechar os espaços para contra-atacar. Durante décadas essa foi a principal estratégia de marcação.
A marcação por pressão, com os zagueiros muito adiantados, quase na linha do meio-campo, como é habitual no Barcelona e em outras equipes, deixa muitos espaços atrás dos defensores, que precisam correr para trás e ainda contar com a saída rápida do goleiro na cobertura. Muitas vezes não dá certo.
Pior ainda ocorre quando o meio-campo avança na marcação e os zagueiros ficam muito atrás, situação habitual nas equipes brasileiras, pois isso aumenta muito os espaços entre os zagueiros e o meio-campo para o adversário receber a bola livre. Prefiro um posicionamento intermediário dos zagueiros, entre a linha da grande área e o meio-campo.
Na eliminação do Brasil na Copa do Mundo, para a Noruega, o erro principal de Carlo Ancelotti foi recuar a marcação e esperar o adversário para contra-atacar. A Noruega ficou com a bola, não era pressionada nem mesmo na intermediária do Brasil. E, em dois lances isolados, Haaland fez os dois gols. O Brasil armou a estratégia como se enfrentasse uma seleção superior, como as de Espanha e França.
Os gols de bola parada são a cada dia mais frequentes. Todo grande time precisa ter, no mínimo, um excepcional cruzador e um grande cabeceador. Nos ótimos cruzamentos, as bolas não sobem muito, são rápidas e fazem curva saindo do goleiro para o companheiro tomar impulso e cabecear de frente. Ou a bola faz uma curva em direção ao goleiro, que está sempre encoberto por adversários. Há um tumulto, um bololô dentro da área. Na atual seleção brasileira, Raphinha é o único excepcional cobrador de escanteios. Nos times brasileiros, os que mais se destacam são Neymar e Andreas Pereira.
Muitos goleiros e zagueiros jogam bem com os pés. Por outro lado, muitos erros acontecem pela falta de habilidade deles e pela marcação por pressão do adversário. O goleiro precisa ter o bom senso para definir se vai dar um passe ou um chutão para a frente. É preciso separar o goleiro veloz, que sai bem da área nas coberturas dos defensores, do goleiro que tem habilidade com os pés. As duas virtudes são importantes no futebol atual.
As grandes equipes da história, com estilos diferentes para cada período, unem a estratégia e a criatividade. Na Copa do Mundo de 1970, Zagallo, antes das partidas e dos treinamentos táticos, reunia os jogadores em volta da mesa em um campo de botões, para mostrar, movimentando as peças com a mão, os planos táticos para defender e atacar. Em campo, os craques reinventam caminhos e descobrem novos.
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