Bolsonaros, uma família ímpar
Flávio publicou nas redes texto em que dizia ser
Depois da estreia de "Os Bons Companheiros", em 1990, Martin Scorsese foi banido de alguns restaurantes italianos em Nova York. Os ítalo-americanos acharam que o filme difamava a comunidade.
Ora, nós olhamos para os Bolsonaros e verificamos que o pai está preso e dois filhos estão foragidos. Não conheço quem reforce mais o estereótipo de que as famílias de origem italiana vão para a América dedicar-se a atividades ilícitas. Se houver justiça, Flávio Bolsonaro não conseguirá comer uma pizza em Miami. E Scorsese está perdoado.
De fato, um dia após ter dito que nunca abandonaria o Brasil, Flávio Bolsonaro abandonou o Brasil. Já nos Estados Unidos, publicou nas redes sociais um texto em que dizia ser "o presidente eleito do Brasil". E depois corrigiu para "líder do Brasil". É uma liderança um pouco hesitante.
Mas pode haver vantagens em liderar o Brasil a partir de Miami. Às vezes a gente precisa dar dois ou três passos atrás para ver melhor um quadro. Ora, o Brasil é muito grande. Talvez seja preciso recuar 6.000 quilômetros para apreciar devidamente a globalidade dos problemas.
Sonho com um entendimento histórico entre Lula e Bolsonaro para que o Brasil possa ser o primeiro país com dois presidentes, um presente e outro à distância, como quando alguém sai do carro para nos ajudar no estacionamento. O Lula conduz e Flávio diz para onde há de virar.
Este episódio provocou uma refrescante mudança de discurso. Eu sou do tempo em que, quando um juiz prendia um político e depois ia para o governo, isso era a justiça a funcionar. Mas agora tenho ouvido que, quando as autoridades investigam e apreendem o passaporte de um candidato, isso é a instrumentalização da justiça pelo poder político.
Além disso, há um aspecto que ainda não vi referido. Jair Bolsonaro está preso, e dois dos seus filhos estão foragidos. São os filhos números 1 e 3. Os filhos 2 e 4 mantêm-se no Brasil. Há de ser por isso que se diz que os Bolsonaros são uma família ímpar.
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