Apucarana mantém coerência anti-Lula
Entenda a trajetória eleitoral de Lula em Apucarana e as repercussões das últimas eleições.
Em todas as eleições em que disputou a presidência da República, o candidato Lula (PT) foi derrotado em Apucarana por uma grande quantidade de votos, independente de quem fosse o adversário. Foi assim com Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso (duas vezes), José Serra, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e agora Flávio Bolsonaro. Em todas estas eleições, Lula nunca passou dos 30% dos votos em Apucarana, seja no primeiro ou segundo turnos. O eleitorado local é comprovadamente anti-Lula, mas não se pode dizer que é anti-PT, porque em 2012 elegeu o atual deputado federal Beto Preto como prefeito da cidade e, para se reeleger, em 2016, Beto Preto trocou o PT pelo PSD e chegou a nada menos do que 90 por cento dos votos válidos. Fazer campanha em Apucarana contra Lula, seja qual for o adversário dele, é tarefa fácil. Difícil é para o PT local, que nunca encontrou guarida no eleitorado da cidade, quando se trata de eleição para presidente da República. É histórico.
Arilson e Beto
O deputado federal eleito Arilson Chiorato, presidente estadual do PT e morador de Apucarana, vai ter muita força em Brasília com Lula presidente. Mas o deputado federal reeleito Beto Preto (PSD) também vai ter seu naco de força, porque o partido dele, a exemplo de todo o centrão, vai acabar aderindo a Lula, que, por sua vez,precisa mais do que nunca desses parlamentares para tentar governar o país.
Moro dificuldade
Para o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), a vitória do presidente Lula (PT) foi muito ruim, pelo histórico de rixa pessoal entre eles. Moro foi quem prendeu Lula e o deixou na cadeia por mais de 500 dias. O que não pode é o Paraná ser prejudicado por conta de uma desavença entre o governador e o presidente da República. O Estado do Paraná representa muito para a economia do país. Muito mesmo.
Duas derrotas
O governador Ratinho Junior deve riscar de vez o ano de 2026 de sua carreira política, até então muito bemsucedida. Duas derrotas seguidas: uma para o governo do Estado, quando seu candidato à sucessão, Sandro Alex, não chegou nem no segundo turno; e agora com Flávio Bolsonaro, a quem manifestou apoio e fez campanha neste segundo turno. As derrotas, em verdade, não diminuem a força política de Ratinho. Nunca se deve menosprezar a influência dele na política do Paraná.
Curi beneficiado?
Há quem diga que a vitória do presidente Lula pode de alguma forma beneficiar o deputado estadual Alexandre Curi, que ficou em terceiro lugar na disputa pelas duas vagas ao Senado. Se Bolsonaro vencesse, a suposta inelegibilidade de Deltan Dallagnol não seria validada no TSE. Mas agora, com Lula, segundo aliados de Curi, a história pode ser diferente. Se os votos de Dallagnol forem anulados, Curi é senador.
País dividido
Mesmo vencendo a eleição por mais de 4 milhões e 400 mil votos, o presidente Lula vai para seu quarto mandato com um país dividido, afinal seu oponente na eleição fez quase 60 milhões de votos. O presidente Lula vai ter que melhorar e muito seu governo para reconquistar a confiança, principalmente do empresariado e do mercado. E a primeira-dama Janja, pelo bem de Lula, deve perder influência no governo.
PESQUISAS DESMORALIZADAS
Todos os institutos de pesquisas apontavam o candidato Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno da eleição presidencial. Teve instituto às vésperas do pleito apontando diferença de quatro pontos percentuais a favor de Flávio. A maioria dava empate técnico dentro da margem de erro, sempre com Flávio à frente. Mais uma vez os institutos de pesquisa não captaram o eleitor silencioso, uma possível redução de abstenção e a queda de nulos e brancos na votação. Mesmo na eleição para o governo do Paraná, vencida por Sergio Moro no primeiro turno, muitos institutos de pesquisa apontavam que haveria segundo turno e todos davam para o candidato derrotado, Sandro Alex, percentual de votos muito acima do que efetivamente teve. Vai ficar cada vez mais difícil acreditar em pesquisas eleitorais.
Vapt Vupt
* Em trincheiras opostas na eleição para o governo do Paraná, quando o prefeito Rodolfo Mota apoiou Sandro Alex e o presidente da Câmara, Danylo Acioli, trabalhou para Sergio Moro, agora no pleito para presidente da República ambos apostaram no mesmo candidato. Um não pode falar nada do outro sobre quem saiu derrotado...
* Pouco após as 17 horas de domingo, quando as urnas já estavam lacradas, mesmo com a decisão de prorrogação por mais duas horas na votação, muitos apoiadores de Flávio Bolsonaro começaram a tomar as ruas de Apucarana para comemorar a vitória de seu candidato, antes da apuração, tendo certeza absoluta de que a vitória eram favas contadas.
* Mesmo sendo minoria na cidade, os petistas de Apucarana, com a confirmação da vitória de Lula, saíram às ruas para festejar a vitória do candidato. A maioria jovens e estudantes. Já na sexta-feira, anterior à eleição, fizeram uma mobilização pró-Lula na praça do Redondo, com muito barulho e pouca gente. Democracia é isso mesmo.
* A deputada estadual eleita Jessicão (PL) recebeu muitas críticas por uma postagem que pede que todo patrão demita funcionário petista, que todo amigo corte relação com petista e até se o seu barbeiro for petista, mude de profissional. Tudo muito antidemocrático. Tanto quem votou em Flávio como em Lula merecem respeito. É a democracia.
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