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Economia

Após forte alta, preço do trigo recua no mercado internacional

Clima afeta safra mundial, mas Argentina produzirá acima da estimativa inicial

Após forte alta, preço do trigo recua no mercado internacional

Após um período de forte alta, o preço do trigo está em queda no mercado internacional e no brasileiro. Em Chicago, o contrato de dezembro, o mais negociado, caiu para US$ 6,10 por bushel (27,22 kg), após ter atingido US$ 7,04 no dia 10 deste mês. No Brasil, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostra estabilidade nos preços, com a tonelada sendo negociada a R$ 1.564 no Paraná.

A colheita não foi boa na União Europeia e nos Estados Unidos, mas a da Argentina está sendo reavaliada para cima. Não repete o recorde do ano passado, mas fica próxima de 24 milhões de toneladas, acima dos 21 milhões previstos anteriormente.

A União Europeia, afetada pelo clima, deve produzir 124 milhões de toneladas de trigo mole, conforme as previsões mais recentes da Comissão Europeia, abaixo dos 126 milhões da estimativa anterior. A produção menor reduzirá o potencial de exportações do bloco para 29 milhões.

A Austrália, outro país importante para o mercado internacional, tem safra de 29,9 milhões de toneladas, segundo a Abares, órgão de pesquisa e de estatística australiano. Esse volume é 17% menor do que o da safra anterior. Rússia e Ucrânia, dois polos importantes em produção e em exportação, não têm grandes mudanças no volume da safra 2026/27, em relação ao da anterior, mas ambas têm dificuldades no escoamento do cereal, devido ao conflito entre elas.

O Canadá produz 36 milhões de toneladas, 11% a menos do que em 2025. Apesar disso, o volume deste ano ainda supera a média de 33 milhões dos últimos cinco. As exportações canadenses podem chegar a 30 milhões.

O Brasil apresenta um cenário bem mais complicado. A produção está estimada em 5,7 milhões de toneladas, bem abaixo do consumo anual, que é de 12 milhões. Com esse resultado, o país terá de importar pelo menos 7,1 milhões de toneladas, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A produção é uma das menores da história do país, e a importação, uma das maiores.

A elevação dos preços do trigo já pesa no bolso do consumidor. Nas últimas quatro semanas, o paulistano pagou 1,15% a mais pelo pãozinho, que acumula alta de 2,7% no ano, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). A retração atual dos preços no mercado ainda não se converteu em queda para o consumidor.

A produção mundial de trigo recua para 822 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo dos 844 milhões de 2025/26. Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Exportações
O Brasil colocou apenas 970 mil toneladas de trigo no mercado externo neste ano, segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais). De janeiro a dezembro do ano passado, foram 2,3 milhões.

Exportações 2
Segundo a Anec, a saída de soja para o mercado externo deverá atingir 6,2 milhões de toneladas neste mês, acumulando um recorde de 108 milhões para os dez primeiros meses do ano. Durante todo o ano de 2025, foram 108,7 milhões.

Exportações 3
Já o volume de milho colocado no exterior é de 26 milhões de toneladas até outubro, segundo a associação. As exportações deste ano deverão ficar bem abaixo dos 42 milhões de 2025.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
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