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A derrota de Flávio é uma oportunidade para a direita

Campo político tem a chance de romper com família Bolsonaro e construir agenda própria

A derrota de Flávio é uma oportunidade para a direita

A derrota decisiva de Flávio cria uma oportunidade para a direita finalmente se libertar de Bolsonaro. A família e seu patriarca continuarão tendo voz, gostemos ou não —Carlos, Jair Renan e Michelle estão no Congresso, representando milhões de eleitores. Depois da segunda derrota consecutiva à Presidência, contudo, ficou claro que a opção por Flávio foi um erro.

Flávio sempre foi apagado e sobre ele pairam fortes suspeitas de corrupção. Chegou onde chegou única e exclusivamente pela unção do pai. Se o candidato tivesse sido outro, menos divisivo, menos enrolado, menos vazio, o resultado poderia ter sido outro também. A eleição não mostrou apenas a fragilidade de Flávio, mas também a falta de critério de Jair. Para ele, manter o poder na família e garantir sua soltura estão acima de qualquer outro valor. É impossível para uma direita séria se pautar por essas prioridades.

A população está revoltada com o Supremo Tribunal Federal, como mostrou o primeiro turno. Lula deve manter sua aliança com o STF. Alexandre de Moraes já se sente seguro para apreender os passaportes de Flávio. Hoje em dia, apenas a direita aponta o grave problema que o atual Supremo constitui para a democracia. Retirar os ministros corruptos e reformar o tribunal para diminuir seu poder de arbítrio é uma bandeira que pode se fortalecer se for descolada da anistia aos Bolsonaro.

A população também quer segurança, combate à corrupção, defesa da liberdade de expressão, um governo mais eficiente. No governo Lula 4 não faltará espaço para a direita, que, aliás, poderá pautar o Congresso.

E a população precisa de uma economia sustentável e dinâmica, com juros baixos e ganhos de produtividade, que não nos condene a novas recessões em nome de uma agenda de gastos irresponsável. Aqui mora o maior desafio. Hoje em dia, para se eleger presidente no Brasil, é preciso mentir sobre os fatos mais elementares da economia. A máquina de terrorismo eleitoral do PT é muito eficiente. "Se a oposição ganhar, secará o gasto social." A população segue desinformada e acreditando em promessas vazias de gastos sempre maiores. (Flávio mentiu também, só foi menos crível.)

Há ecos de 2014 em 2026. O país em rota de colapso fiscal. O presidente de esquerda reeleito por pouco, depois de "fazer o diabo" com as contas públicas para conquistar votos e protagonizar uma campanha de terrorismo eleitoral. Dilma imediatamente revelou o estelionato eleitoral. Foi incapaz de conter os gastos e deu início a uma recessão violenta que lançou milhões de famílias na pobreza. Lula também se reelegeu gastando o que podia e o que não podia. Saberemos em breve o tamanho do estelionato.

O maior desafio da direita no Brasil é educativo: fazer com que um mínimo de honestidade sobre a economia deixe de ser kriptonita eleitoral. Será um trabalho árduo, dentro e fora da política. Não é preciso escolher um líder já. O campo se fortalece com diversas lideranças atuando de forma independente e reforçando junto à população suas bandeiras e as deficiências de uma esquerda que, não fosse Flávio, já teria sido descartada por esgotamento. A população quer mudança; só não quis Bolsonaro.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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