Vitória democrata nos EUA acentua dúvidas sobre a IA
Temores de regulação restrita da expansão da inteligência artificial provocam quedas nas Bolsas de Valores
A grande queda dos preços das ações nos Estados Unidos reaviva o debate sobre quando e como vai baixar a maré de valorização das empresas relacionadas aos negócios de inteligência artificial (IA) e de investimentos na expansão do setor. Não se discute apenas se há bolha nos mercados acionários e de empréstimos; questiona-se qual será o destino da economia em caso de fim da euforia.
A turbulência nas Bolsas de Valores na quinta (5) parece ter sido provocada pelo receio de que a regulamentação do setor possa vir a ser restritiva, dada a vitória do Partido Democrata nas eleições.
Além das maiorias no Congresso, os democratas passaram a controlar governos e legislaturas estaduais e elegeram lideranças que fizeram campanhas com críticas ao avanço desregulamentado da IA e de empreendimentos associados, como data centers.
Não são novas as dúvidas a respeito da sustentabilidade desses investimentos, os maiores já medidos na história das ondas de inovação tecnológica.
O índice Nasdaq Composto, dominado por empresas do complexo de IA, cai desde o pico no início de outubro. Cresce o custo de fazer seguros financeiros contra calotes. São sintomas mais imediatos das preocupações.
As empresas que lideram a inovação em IA mais e mais se endividam para investir. Investem também umas nas outras. Esse "financiamento circular" tende a multiplicar perdas em caso de baixas nos negócios, um círculo vicioso de prejuízos.
A ansiedade de não perder a oportunidade de lucros contribuiu para a alta do preço das ações. Também são criadas estruturas financeiras de grande risco e complexidade, sustentadas por crédito, a fim de multiplicar ganhos com o avanço já exuberante do valor de mercado das firmas. Tudo lembra as bolhas que estouraram nos últimos séculos.
A expansão das empresas de IA e associadas impulsiona o crescimento da economia dos EUA tanto por meio do aumento do investimento produtivo quanto do chamado efeito riqueza sobre o consumo —a poupança financeira das famílias aumenta com a valorização das ações.
Uma regulação mais restrita pode desacelerar investimentos. Talvez motive também uma retração rápida de preços de ações. Difícil dizer em que ponto da cadeia poderia haver ruptura ou, em visão benigna, se haveria desinflação paulatina da bolha.
De menos incerto, há o fato de que abalos nos EUA têm impacto global. Mais um motivo para o Brasil reduzir, com ajuste fiscal, a vulnerabilidade de sua economia.
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