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Vestibular da Unicamp tem questões sobre democracia, IA e gíria 'gag'

Prova realizada neste domingo (18) exigiu conexão de conhecimento escolar a conteúdos da internet, aponta diretor

Vestibular da Unicamp tem questões sobre democracia, IA e gíria 'gag'

Desinformação, democracia, política migratória e a gíria "gag", popularizada nas redes sociais, estiveram entre os temas abordados na primeira fase do vestibular 2027 da Unicamp, aplicada neste domingo (18). O exame também teve questões sobre inteligência artificial, a relação entre arte e política, entre outros temas, em uma prova que relacionou conteúdos escolares a discussões atuais.

Na área de inglês, uma das questões explorou o uso de "gag", expressão empregada nas redes sociais para demonstrar surpresa diante de alguma coisa. O exame também abordou a política indigenista durante a ditadura militar e a desinformação que associava a vacina contra a Covid-19 a Aids.

Outras questões exploraram o conceito de democracia e a opinião de americanos sobre deportações de grupos populacionais.

Para José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp), a prova manteve a proposta de relacionar o conhecimento escolar a questões que circulam na sociedade.

O diretor destacou, em entrevista na tarde deste domingo, a presença de temas como negacionismo científico e políticas indigenistas, além da disseminação de novas expressões pela internet.

Márcia Mendonça, coordenadora acadêmica da Comvest, ressaltou a abordagem interdisciplinar de alguns assuntos. O tema da população, por exemplo, apareceu em geografia, em uma questão sobre o crescimento das cidades, e em inglês, em outra sobre deportações de grupos populacionais.

A edição deste ano incluiu ainda questões relacionadas aos 40 anos do vestibular da Unicamp e aos 60 anos da universidade. Uma delas retomou elementos cartográficos associados ao logotipo da instituição, inspirado no desenho da cidade universitária, em Campinas.

Exame tem menor abstenção em 16 anos

A prova registrou a menor abstenção em 16 anos. Dos 58.431 candidatos inscritos, 54.702 compareceram, o equivalente a 6,38% de ausências. No vestibular anterior, o índice havia sido de 6,45%.

Freitas Neto atribuiu parte do resultado à mudança da aplicação para o período da manhã.
A cidade de Paulínia, localizada no interior de São Paulo, que recebeu provas pela primeira vez, teve a menor abstenção entre os locais de aplicação, com 4%. Já Fortaleza registrou a maior taxa, de 14%, em um dia em que também ocorreu a primeira fase do vestibular da Uece (Universidade Estadual do Ceará).

Ao todo, os candidatos disputam 2.523 vagas em 70 cursos de graduação. Medicina é a carreira mais concorrida, com 204,5 candidatos por vaga.

O gabarito oficial da primeira fase será divulgado na quarta-feira (21), segundo a Comvest. A lista de convocados para a segunda fase sai em 23 de novembro. As provas da próxima etapa estão marcadas para os dias 29 e 30 do mesmo mês.

Terminada a primeira fase do vestibular 2027 da Unicamp, a Folha e o Grupo Educacional Farias Brito realizam neste domingo (18), uma live para analisar e comentar a prova. O debate ao vivo, com a participação de professores, será transmitido também no canal do YouTube do jornal.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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