Usuários da Starlink viram alvo de espionagem israelense, diz Reuters
Usuários da Starlink podem ter sido alvo de uma operação de rastreamento e espionasgem por meio de anúncios digitais de uma empresa israelense de tecnologia pub
Por João Melo • Editado por Léo Müller | 29/10/2026 às 09:43 • Atualizado 29/10/2026 às 10:34
Usuários da Starlink podem ter sido alvo de uma operação de rastreamento e espionasgem por meio de anúncios digitais de uma empresa israelense de tecnologia publicitária. A companhia teria direcionado propagandas a clientes do serviço de internet via satélite em mais de 100 países, levantando suspeitas sobre o uso desses anúncios para fins de espionagem.
As informações foram divulgadas em uma reportagem recente da agência Reuters. Segundo a publicação, a investigação se baseia tanto em análises de pesquisadores de segurança digital quanto em relatos de seis pessoas familiarizadas com o caso.
A empresa apontada é a Discover-Tech, que teria se destacado na compra de espaços publicitários direcionados a usuários da Starlink, serviço operado pela SpaceX.
Os indícios levantam preocupações sobre o uso de ferramentas comuns de publicidade para identificar e monitorar internautas. No entanto, a reportagem não comprova que o governo israelense tenha comandado a operação nem esclarece a extensão dos dados que teriam sido coletados.
Segundo a Reuters, pesquisadores da TrendAI, divisão da empresa de cibersegurança Trend Micro, identificaram a Discover-Tech como uma das principais compradoras de anúncios direcionados a usuários da empresa de Elon Musk. A companhia teria sido a maior participante dos leilões publicitários voltados a esse público em mais de 100 países.
A suspeita é de que, durante os leilões para exibição de anúncios em sites e aplicativos, a empresa israelense tenha reunido dados sobre usuários da Starlink e cruzado essas informações com outras fontes para identificar pessoas e acompanhar suas atividades on-line.
O padrão chamou a atenção dos pesquisadores porque a concentração de anúncios direcionados a usuários da Starlink parecia pouco compatível com uma operação comercial convencional. Em relatório publicado em 15 de outubro, a TrendAI descreveu a atividade de uma entidade que chamou de Shadow-Earth-79, codinome utilizado pela empresa de segurança para se referir à Discover-Tech.
O relatório também apontou que a entidade estava entre as principais compradoras de anúncios na Síria, na Líbia, no Iêmen e no Sudão do Sul. A atividade publicitária nesses territórios foi considerada um indício de que a estrutura poderia ter outra finalidade além da divulgação comercial.
A suspeita ganhou força porque esses territórios são marcados por conflitos ou restrições de acesso à comunicação. Nesse contexto, a Starlink se tornou um recurso importante em regiões onde as redes convencionais de telecomunicações enfrentam limitações.
A Discover-Tech foi citada ainda em investigações do Citizen Lab, grupo canadense de pesquisa em segurança digital, e da Confiant, empresa americana especializada em tecnologia publicitária. As organizações também acusaram a companhia de explorar o sistema de leilões de anúncios para obter informações sobre internautas e potencialmente facilitar operações de vigilância.
Os dados publicitários em questão podem ser reunidos e associados a outras informações para identificar usuários, relacionar dados aparentemente anônimos a pessoas específicas e, em determinados casos, direcionar ferramentas de vigilância a alvos selecionados.
Após as investigações, empresas como Google e Comcast informaram ter removido a Discover-Tech de suas plataformas publicitárias.
A Starlink também vem sendo utilizada por tropas ucranianas na guerra contra a Rússia, mas limitações recentes impostas pela empresa atrapalharam missões de drones organizadas por Kiev.
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