TSE dá 24h para Meta detalhar canal “Exército do Lula”
Nunes Marques atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e cobra dados do WhatsApp e do Google a 3 dias do 2º turno. Leia no Poder360.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta 5ª feira (22.out.2026) que a Meta envie um relatório técnico detalhado sobre o canal “Exército do Lula”, no aplicativo WhatsApp. A plataforma tem 24 horas para apresentar os dados. Leia a íntegra (PDF – 125kB).
A decisão atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e mira a verificação do plano de conformidade assinado pela empresa com o TSE. O plano descreve medidas adotadas para prevenir e mitigar riscos à integridade do processo eleitoral.
A determinação exige também que a Meta explique os critérios técnicos que utiliza para diferenciar uma “mobilização legítima” de um “comportamento coordenado potencialmente irregular”.
Na decisão, Nunes Marques esclarece que o foco da análise é “o confronto entre as providências formalmente informadas à Justiça Eleitoral e o funcionamento do mecanismo questionado”.
O Google também recebeu uma ordem do tribunal: informar se identificou amplificação coordenada de termos e hashtags relacionados ao canal, entre 18 e 20 de outubro de 2026, em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.
A nova determinação técnica à Meta vem no mesmo dia em que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a integrar o canal de apoio à sua reeleição.
Nunes Marques listou 7 pontos que o relatório da Meta deve contemplar:
O Poder360 procurou a Meta e o deputado André Janones para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A nova ordem é mais um capítulo de uma disputa que se arrasta há semanas na Justiça Eleitoral. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão do canal depois de pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou divulgação de informações falsas.
No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, suspendeu a ordem e reativou a página.
Uma análise técnica do TSE não encontrou conteúdos falsos entre as publicações examinadas. Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral.
A campanha do presidente cumpriu a exigência e registrou o endereço eletrônico do canal no TSE, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A defesa de Lula afirmou que fez o registro só para cumprir a determinação e que isso não significava assumir a administração do canal.
Na noite de 13 de outubro, o canal voltou a sair do ar depois de uma nova decisão de Nunes Marques. No dia 14 de outubro, o presidente do TSE determinou que o Facebook, como representante do WhatsApp, restabelecesse integralmente a ferramenta, inclusive permitindo novas publicações e a entrada de seguidores. O canal foi reativado após a decisão.
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