Torcida mexicana toma ruas da capital para celebrar quebra de maldição
Tricolor não vencia um jogo eliminatório em Copas desde 1986
Ao entrar no campo do Azteca na noite desta terça-feira (30), o México não enfrentava apenas o Equador. Havia também uma maldição.
Desde 1986, a Tricolor havia perdido todas as partidas de mata-mata por ela disputadas em Copas do Mundo. Todas essas derrotas jogando de verde, a mesma cor utilizada agora.
A última vitória ocorrera nas oitavas de 1986, contra a Bulgária, quando a seleção também era anfitriã do torneio —mas vestia branco.
Superstição ou não, a marca preocupava os mexicanos. No caminho para o estádio, o assunto dominava rodas de conversa. "Acho que hoje vai, os sinais estão aí", disse o ambulante Ángel Gomes, 27. Uma tempestade se formava sobre o Azteca, com fortes e frias rajadas de vento, neblina e raios. Para o homem, isso era um bom presságio.
O jogo foi atrasado pelas condições meteorológicas. Os convocados da seleção nacional, porém, seguiram quentes para encurralar os sul-americanos e vencer a partida por 2 a 0, produzindo para mais. Apitado o fim do confronto, as ruas da capital foram tomadas por uma festa barulhenta.
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Vuvuzelas anunciavam a marcha dos torcedores pelas vias do centro histórico da Cidade do México. Em carros e motos, eles passavam buzinando e cantando "Cielito Lindo", clássica melodia do país. O governo do distrito precisou fechar ruas e avenidas para comportar a multidão que passava sem rumo, mas estampando alegria.
Muitos ali já faziam planos para o próximo jogo da Tricolor, no domingo (5), contra Inglaterra ou República Democrática do Congo. "Se ganharmos, serão três dias de festa e vigília para a presidência decretar feriado nacional", afirmou Julieta Yuta, 25, enfermeira que emendou um plantão com a comemoração.
Sem maldição para preocupá-los, os mexicanos estão leves e esperam varrer como uma tempestade este mundial para, quem sabe, conquistar sua primeira estrela.
Como foi a partida
Durante a etapa inicial, o México foi superior, com maior volume de jogo e mais objetividade. A equipe começou pressionando o Equador, com as principais jogadas saindo pelo lado direito do ataque mexicano.
Foi por esse setor que, logo no início da partida, Romo cruzou para Raúl Jiménez. O centroavante infiltrou-se em velocidade, subiu mais do que o defensor e cabeceou perto da meta de Galíndez.
Aos 21 minutos, o ponta-direita Alvarado disputou a bola no meio-campo, levou a melhor e lançou Quiñones. O atacante arrancou de antes da linha do meio-campo, evitando o impedimento, avançou sozinho, driblou um zagueiro equatoriano e finalizou forte no canto direito de Galíndez: 1 a 0.
Os mais fortes suspiros da torcida mexicana eram arrancados pelo jovem Gilberto Mora, 17, o segundo jogador mais jovem a disputar Copas. O jogador do Tijuana acelerava o jogo a todo momento, simbolizando o espírito da seleção na partida.
Aos 30 minutos, o México ampliou. Raúl Jiménez roubou a bola, tocou para Quiñones, recebeu de volta e finalizou no canto da meta equatoriana, à esquerda do goleiro, para marcar um belo gol.
O Equador tentava explorar os contra-ataques e encontrar a defesa mexicana desorganizada. A equipe também apostava nas jogadas individuais.
As principais chances surgiam pela combinação entre Angulo e Hincapié pelo lado esquerdo e pelas arrancadas de Yeboah. Em duas oportunidades, o atacante equatoriano levou perigo ao gol mexicano na etapa inicial.
No segundo tempo, Equador se lançou mais ao ataque. O treinador Sebastián Beccacece fez mudanças para pressionar em busca da classificação, como substituir o zagueiro Ordóñez pelo ala Medina. Ainda assim, o time mexicano foi superior.
Os equatorianos sofriam com um de seus principais problemas no Mundial: a falta de precisão. Antes da partida desta terça-feira, o time havia finalizado 46 vezes no torneio, mas convertido apenas 4% das tentativas em gol.
Antes do jogo acabar, aos 49 minutos do segundo tempo, o lateral Hincapié foi expulso por cobrir a boca com a mão. O protocolo já havia sido ativado na partida entre Paraguai e Turquia, pela fase de grupos do Mundial. Pela nova regra da Fifa, essa ação é proibida e punida com o cartão vermelho.