Tempestades solares estão mudando o que sabemos sobre o espaço
Estudo revela que tempestades solares podem alterar raios cósmicos que chegam à Terra, mudando previsões sobre o espaço.
Tempestades solares podem estar interferindo em algo que parecia totalmente independente: os raios cósmicos que atingem a Terra. Um novo estudo identificou essa conexão a partir de dados de um dos maiores detectores já construídos.
Segundo o Phys.org, a descoberta ajuda a entender melhor como esses fenômenos se comportam no espaço e pode melhorar a forma como seus impactos são previstos.
Durante muito tempo, raios cósmicos e tempestades solares foram tratados como eventos separados. Um vem de regiões distantes da galáxia; o outro nasce de explosões no Sol que lançam grandes volumes de plasma.
O ponto de encontro entre eles acontece quando chegam ao campo magnético terrestre, onde suas trajetórias podem ser alteradas.
A equipe liderada por David Ruffolo, da Universidade Mahidol, usou dados do observatório LHAASO, na China. Em vez de apenas contar partículas, os cientistas observaram de que direção elas chegavam.
Em novembro de 2021, durante uma tempestade solar, surgiu um padrão inesperado: menos raios cósmicos chegaram de uma área específica do céu, indicando um desequilíbrio na distribuição.
A hipótese principal é que a própria tempestade solar cria uma região instável em sua borda. A expansão do plasma gera turbulência suficiente para desviar parte das partículas mais energéticas.
Isso indica que até partículas extremamente rápidas podem ser afetadas por essas estruturas.
O estudo sugere que os raios cósmicos podem funcionar como uma espécie de “ferramenta indireta” para observar tempestades solares. Em vez de depender apenas de sondas espaciais, seria possível identificar sinais desses eventos diretamente do planeta.
Essa abordagem pode ajudar a antecipar perturbações no espaço e melhorar a proteção de satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação.
No fim, a pesquisa reforça uma ideia importante: o espaço ao redor da Terra é dinâmico e conectado — e até partículas vindas de longe podem revelar segredos sobre o comportamento do Sol.