Temer diz que Dilma “nunca mais” falou com ele após impeachment
Temer diz que Dilma "nunca mais" falou com ele após impeachment | Poder Brasil
Ex-presidente afirmou que respeita a petista e lembrou que ela não aceitou ser chamada por ele de “honesta” em 2016
Michel Temer (MDB) afirmou que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) nunca mais falou com ele depois do impeachment de 2016. O emedebista era vice de Dilma e assumiu a Presidência depois de seu afastamento. A declaração foi dada na 2ª feira (6.jul.2026), em entrevista ao programa “Frente a Frente”, do Canal UOL.
Segundo Temer, o rompimento ficou evidente depois de um comentário sobre o caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras. Ele disse ter afirmado, em entrevista, que Dilma era “honesta”. A petista respondeu, em 2022, com uma nota pública, na qual afirmou que não desejava que sua “honestidade pessoal e política” seja usada por Temer para “limpar” a “condição de golpista” do ex-presidente.
“Eu disse: ‘A senhora ex-presidente é muito honesta, honestíssima’. No dia seguinte, ela lançou uma nota dizendo que não admitia que eu a chamasse de honesta. Eu prometo não fazer mais essa acusação”, afirmou.
A compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi realizada pela Petrobras em 2006 e posteriormente investigada pela operação Lava Jato. Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal na época da aquisição. Em 2021, o Tribunal de Contas da União inocentou a ex-presidente.
Temer também lembrou que, ao assumir interinamente a Presidência em 2016, fez um discurso em que manifestou respeito institucional à então presidente.
Temer comentou, durante a entrevista, sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Para ele, os atos configuraram uma tentativa clara de golpe de Estado, mesmo sem apoio das Forças Armadas.
“A intenção de golpe houve, sim. Houve o desejo, sem dúvida alguma. Porque a invasão não foi aos prédios. Foi aos prédios que abrigavam os Poderes. Portanto, houve tentativa de golpe”, declarou.
O emedebista também defendeu o STF (Supremo Tribunal Federal) e elogiou o ministro Alexandre de Moraes. Para ele, é legítimo questionar o mérito das decisões do Supremo, mas não suas competências previstas na Constituição.
“Você não pode discutir as competências constitucionais do Supremo Tribunal Federal. O que você pode discutir é o mérito”, afirmou.