Simpar (SIMH3) reverte prejuízo e lucra R$ 137 milhões no 3T26
Companhia chega a alavancagem em menor nível desde o IPO no terceiro trimestre
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A Simpar (SIMH3) reportou lucro líquido ajustado das operações continuadas de R$ 137,0 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), revertendo prejuízo de R$ 128,6 milhões no mesmo período do ano passado. O balanço, divulgado nesta quarta-feira (4), não inclui o fechamento da venda da CS Porto Aratu.
A holding, que conta com companhias como Movida (MOVI3), JSL (JSLG3) e Vamos (VAMO3) em seu guarda-chuva, encerrou o trimestre com alavancagem de 2,7 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, o menor nível desde o IPO, em 2010.
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“A gente está em uma fase do planejamento que é pós-construção de escala. É foco na extração de valor”, diz Denys Ferrez, CFO da Simpar, em entrevista ao InfoMoney.
Destaques financeiros
A receita bruta somou R$ 12,7 bilhões no 3T26, alta de 4,6% na comparação anual. A receita líquida de serviços cresceu 5,8%, para R$ 9,5 bilhões.
O Ebitda avançou 19,9% e chegou a R$ 3,5 bilhões, com margem de 30,4% sobre a receita líquida sem construção, alta de 4,1 pontos percentuais. O Ebit subiu 24,1%, para R$ 2,15 bilhões. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,94 bilhão, 6,3% menor que o do 3T25.
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No critério contábil, o lucro líquido foi de R$ 129,4 milhões, revertendo prejuízo de R$ 238,5 milhões um ano antes. Para os controladores, o lucro foi de R$ 35,2 milhões, ante perda de R$ 246,2 milhões.
O retorno sobre capital investido (ROIC) dos últimos 12 meses, na parte produtiva e sem o BBC, chegou a 13,3%, 2,8 pontos percentuais acima do custo de capital de terceiros.
Para Ferrez, o descompasso entre a receita, que cresce 5%, e o Ebitda, que sobe 20%, mostra o modelo funcionando. “Quando a gente falar aqui, a gente vai ver que a receita cresce, mas o Ebitda e a margem crescem mais. Essa é a extração de valor daquilo que a gente já construiu”, afirma.
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Menor alavancagem desde o IPO
A relação dívida líquida/Ebitda ficou em 2,7 vezes, queda de 0,8 vez em um ano. A dívida líquida sem o BBC caiu 5,4% na comparação anual, para R$ 39,2 bilhões.
A posição de caixa consolidada é de R$ 14,5 bilhões, incluindo R$ 1,3 bilhão em linhas comprometidas não utilizadas. Na holding, o caixa soma R$ 3,9 bilhões, o suficiente para cobrir os vencimentos financeiros até meados de 2031.
A companhia captou R$ 4,6 bilhões no trimestre, a custo médio de CDI + 2,2% ao ano e prazo médio de 4,7 anos. Também recomprou R$ 472 milhões em dívidas da holding no período, o que eleva o total a R$ 723 milhões em 2026. Isso equivale a 72% da meta de R$ 1 bilhão.
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O CFO resume a rotina de gestão como um exercício diário de eficiência. “É olhar todo dia como é que se melhora, como é que se utiliza as coisas, e fazer as entregas”, diz.
Para Ferrez, o grupo não depende da queda de juros para entregar. “A gente não precisa que caia. A gente só tem que trabalhar para colocar o nosso portfólio em equilíbrio com as condições macroeconômicas”, diz. Segundo ele, a taxa de juros usada no planejamento de 2027 está alinhada às projeções atuais.
Movimentos estratégicos do trimestre
Em julho, a Simpar anunciou a venda da CS Porto Aratu por R$ 1,8 bilhão em valor da firma (EV). A operação representa um múltiplo de 5,8 vezes o capital investido em 3,6 anos. O fechamento depende de aprovação do Cade e de autorização do poder concedente.
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Somadas, as transações de M&A anunciadas nos últimos 12 meses geraram ganho de R$ 1,4 bilhão, com múltiplo médio de 2,9 vezes e TIR média de 36% ao ano, segundo a companhia.
Em agosto, a CS Infra passou a ficar com 100% da CS Mobi Leste SP, e a CS Brasil vendeu sua participação de 50% no BRT Sorocaba. Com isso, a CS Infra receberá R$ 65 milhões líquidos.
Desempenho por empresa
JSL: A receita líquida foi recorde, de R$ 2,6 bilhões (+5,7%). O Ebitda ajustado ficou estável, em R$ 522,8 milhões, e o lucro líquido ajustado subiu 12,5%, para R$ 40,3 milhões. A empresa registrou novos contratos recordes de R$ 2,8 bilhões e alavancagem de 2,6 vezes.
A reorganização em JSL Dedicados, JSL Conecta e Intralog, segundo Ferrez, facilita a originação e era uma demanda já antiga. Sobre o peso da empresa no grupo, ele cita “a escala que tem” e “a segurança operacional que ela oferece”.
Movida: O lucro líquido de R$ 152,1 milhões mais que dobrou (+117,4%), acima do guidance para o trimestre. O Ebitda recorde foi de R$ 1,8 bilhão (+21,4%), e a receita líquida somou R$ 3,9 bilhões (+2,8%). A empresa registrou NPS de 90% e 767 mil novos clientes no aluguel de carros.
O ROIC em 12 meses foi de 16,6%, com spread de 5,8 pontos percentuais sobre o custo de capital. Para Ferrez, o ritmo mais moderado de crescimento de volume ajuda a gestão. “Permite que você todo dia revisite aquilo que você faz para fazer melhor”, afirma.
Vamos: O lucro líquido foi de R$ 150,9 milhões, três vezes o do 3T25 e o quarto trimestre seguido de alta. O Ebitda recorde de R$ 1,0 bilhão (+15,7%) veio com taxa de ocupação da frota de 89% e alavancagem de 2,9 vezes.
Ferrez vê um cenário competitivo mais disciplinado e resume: “Foco na entrega, no equilíbrio, no negócio”.
Automob: Vendeu 25,8 mil veículos leves (+16,3%) e 2,9 mil pesados (+19,7%). O prejuízo líquido ajustado diminuiu para R$ 52,1 milhões, melhora de R$ 13,6 milhões frente ao 3T25.
CS Infra: A receita líquida de serviços cresceu 189,3%, para R$ 93,3 milhões. O Ebitda foi de R$ 47,3 milhões (+221,8%) e o lucro líquido de R$ 24,2 milhões. A companhia projeta Ebitda de R$ 524 milhões em 2029.
CS Brasil: Teve receita líquida de serviços de R$ 128,5 milhões, estável no trimestre, e Ebitda ajustado de R$ 26,9 milhões.
BBC: A carteira de crédito chegou a R$ 3,3 bilhões (+53,8%), com inadimplência de 4,4%, 2,2 pontos percentuais abaixo da média de mercado, segundo a companhia.
Ferrez diz que a diversificação de clientes protege o grupo em cenários difíceis. “O cliente é a razão da gente existir”, afirma. Mas, segundo ele, a concentração em vários clientes faz com que a empresa dependa de todos juntos, e de nenhum isoladamente. “Não é um cliente que vai definir a minha vida”, diz.
Ferrez afirma que a volatilidade do país faz parte do negócio. “O Brasil é volátil. Graças a esta volatilidade, eu diria que a gente existe”, diz. Segundo ele, a regra é focar no que está ao alcance da empresa. “Busco pelo equilíbrio dentro de ter uma relação saudável. Se não for saudável, você não vai sobreviver”, afirma.
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