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Setor de energia renovável cobra implementação de políticas em Lula 4

Cortes na geração e queda na instalação de novos projetos serão desafios do próximo governo

Setor de energia renovável cobra implementação de políticas em Lula 4

São Paulo Representantes da indústria de energia renovável afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato, precisará trabalhar pela implementação de políticas voltadas à transição energética.

Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), diz que o petista retomou o tema de descarbonização e combate às mudanças climáticas, além de ter posicionado o Brasil na discussão global.

"Muitas leis foram aprovadas no Congresso Nacional, mas temos uma agenda importante, que é a regulamentação. É essencial que tudo seja implementado", afirma à Folha.

O desperdício de energia limpa, provocado pelo corte forçado do excesso de geração para preservar o equilíbrio do sistema elétrico, tem sido associado a uma queda na instalação de novos projetos renováveis. O governo prevê realizar em dezembro um primeiro leilão de sistemas de baterias, consideradas essenciais para armazenar o excedente de energia.

A Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) afirma que o governo precisará resgatar a segurança jurídica no setor elétrico.

"Lula prometeu fazer o melhor governo que o país já viu. Num momento em que o Brasil sofre cada vez mais com eventos climáticos extremos e com a insegurança jurídica, concretizar essa promessa passará por devolver previsibilidade ao setor elétrico", diz Bárbara Rubim, presidente do conselho de administração da associação.

A Absolar defende que o governo reduza a carga tributária sobre as baterias, que hoje responde por até 84% do custo, nos cálculos da associação. Outro pedido é o ressarcimento adequado aos empreendimentos que tiveram a geração cortada.

Carolina Pavese, diretora da Impacta Consultoria Estratégica, afirma que a reeleição de Lula dá estabilidade ao setor de renováveis, na medida em que já se sabe como o governo lida com o tema.

No primeiro discurso após vencer Flávio Bolsonaro (PL), Lula citou o assunto: "Nós temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável para trazer para cá os data centers necessários para acumular também o nosso dado para o Brasil". O aumento na demanda por energia é uma das formas de reduzir o desperdício de fontes limpas.

Crédito de carbono para financiar eólicas offshore

No contexto da redução das novas instalações de renováveis no país, os créditos de carbono têm sido apontados como uma possível fonte de financiamento ao setor.

Projetos de energia eólica offshore, instalados em alto-mar, são aptos a gerar os certificados e poderão se beneficiar da receita vinda dos créditos para financiar os empreendimentos.

É o que diz análise feita pela consultoria WayCarbon a pedido do Global Wind Energy Council (GWEC), entidade mundial que representa o setor. O estudo será divulgado nesta quarta-feira (28) durante o evento Brazil Windpower 2026, que acontece em São Paulo.

Até 10% da margem de lucro dos empreendimentos offshore poderá vir de créditos de carbono, diz Gustavo Ferreira, assessor de políticas para o Brasil do GWEC.

"Um dos principais obstáculos da eólica offshore é o preço, não só da geração da energia em si. São projetos de grande escala e exigem muito dinheiro", afirma.

O governo Lula sancionou em 2025 a lei que regulamentou as eólicas offshore. Entretanto, as primeiras instalações são previstas apenas daqui a cerca de dez anos.

Os créditos de carbono dependem da chamada adicionalidade, ou seja, é preciso garantir que as atividades certificadas de fato resultem em emissões de gases-estufa evitadas ou removidas da atmosfera.

"A matriz elétrica brasileira já é muito renovável, e adicionar novas fontes não vai descarbonizar tanto assim", diz Ferreira. "Os desenvolvedores precisam ser conservadores nas premissas que vão usar para a receita vinda de créditos de carbono."

O Brasil é um dos países aptos a usar uma metodologia de créditos de carbono da certificadora Verra, com validação a partir de eletricidade renovável. Plantas eólicas em terra firme e em alto-mar são elegíveis ao título. Outra opção identificada é o mercado de carbono internacional, negociado entre os países signatários do Acordo de Paris, tratado de combate ao aquecimento global.

Parque eólico em Dom Inocêncio (PI)

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Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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