Samsung: lucro aumenta quase 20 vezes, mas…
Apesar do resultado positivo, as ações da gigante sul-coreana caíram. Entenda o movimento do mercado financeiro.
A Samsung anunciou nesta segunda-feira (06) os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026.
As ações da Samsung chegaram a cair 10,1%. Os papéis da rival SK Hynix despencaram 10,6%.
Analistas ouvidos pela Reuters atribuem o movimento do mercado financeiro a expectativas elevadas e preocupações de que a expansão dos data centers de IA possa estagnar.
“Os fortes resultados da Samsung eram amplamente esperados e já estavam em grande parte precificados após a valorização das ações antes da divulgação dos resultados”, explica Albert Yong, sócio-gerente da Petra Capital Management.
“Os investidores continuam preocupados com a sustentabilidade do crescimento da IA e com o risco de uma desaceleração nos gastos com infraestrutura de IA por parte das principais empresas de tecnologia dos EUA” – completou em entrevista à Reuters.
Segundo Jing Jie Yu, analista da Morningstar, a estimativa de receita da Samsung não foi tão expressiva quanto o mercado esperava:
“Acreditamos que a ligeira queda foi impulsionada principalmente por aumentos de preços de (memória) DRAM mais moderados do que o esperado, o que provavelmente assustou os investidores que estão cada vez mais considerando a força estrutural dos preços da memória”.
A corrida global pelo desenvolvimento da inteligência artificial começou a impactar diretamente o bolso do consumidor final. O avanço acelerado dessa tecnologia gerou uma alta na procura por memória RAM, um componente essencial para o funcionamento de qualquer dispositivo eletrônico, desde servidores até smartphones, tablets e notebooks. Como a produção atual não dá conta de atender todo mundo, o custo desses chips disparou.
Essa escassez ocorre porque gigantes da tecnologia, como Nvidia, AMD e Google, estão comprando grandes volumes de memória para equipar seus centros de dados focados em IA. A falta de estoque tem provocado um efeito cascata que já chega ao comércio varejista e altera as previsões do setor para os próximos anos.
O repasse de custos para o consumidor já começou a se materializar. A Apple, por exemplo, anunciou um aumento nos preços de MacBooks e iPads, classificando a crise de abastecimento como um desafio sem precedentes. De acordo com dados da consultoria Gartner, a expectativa é que os preços dos computadores pessoais subam 17% e os dos smartphones fiquem 13% mais caros em relação aos patamares de 2025.
Analistas entendem que o maior risco para o crescimento do consumo de memória seria uma queda nos investimentos em infraestrutura de IA. Gigantes da tecnologia precisam contrair empréstimos altíssimos para financiar os projetos – que têm retorno incerto. O cenário pode afetar a procura por chips.
Historicamente, há ciclos de expansão e retração no mercado de memória. Mas, agora, a demanda por IA supera a capacidade da indústria. A construção de fábricas leva anos e limita a oferta. Há quem entenda que o cenário amplie a estrutura e permita um crescimento sustentado. Há quem se preocupe com uma eventual ociosidade futura.