Saiba como Lula perdeu o dedo em acidente de trabalho
Perda do dedo mínimo ocorreu em 1964, quando presidente trabalhava como torneiro mecânico na Metalúrgica Independência. Leia no Poder360.
A perda do dedo mínimo da mão esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ao centro da discussão política após o debate da TV Globo, na 6ª feira (23.out.2026).
Durante o confronto entre os candidatos à Presidência, em uma discussão sobre o poder de compra dos trabalhadores, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com os 9 dedos” o salário mínimo dos brasileiros.
Em resposta, o presidente disse que não aceitaria ser chamado de “9 dedos” pelo adversário.
Lula perdeu o dedo “mindinho” em um acidente de trabalho em 1964, quando era torneiro mecânico e operava uma prensa transversal. Em entrevista ao podcast PodPah, em 2022, durante a pré-campanha eleitoral contra Jair Bolsonaro (PL), ele relatou como ocorreu o acidente.
“Foi na Metalúrgica Independência. Essa metalúrgica fazia botão de cofre, fazia puxador de porta. Tinha uma presa que prensava as peças e quebrou o dispositivo. Eu fiz o parafuso e fui colocar. Quando eu estava colocando, o cara [que operava a prensa], acho que deu uma cochilada, e soltou a mão e a prensa fechou. Eu estava com a mão e puxei. A minha sorte é que eu abri a mão e só ficou o dedinho”, disse.
Lula também avaliou que, se o acidente tivesse ocorrido nos dias de hoje, talvez parte do dedo pudesse ter sido preservada.
“Eu acho que se fosse hoje, o médico deixava um toquinho. Mas naquele tempo, um peão, 4h da manhã, fedendo a óleo, a mão cheia de graxa… ‘Esse peão mesmo. Para que esse toquinho assim?’. E arrancou tudo logo”, disse.
O presidente já havia falado sobre o episódio mais de 20 anos antes, em entrevista ao apresentador Jô Soares (1938-2022), no Programa do Jô. Em 2002, quando disputava a Presidência pela 4ª vez, o petista relatou que o acidente ocorreu por volta das 3h e que só foi atendido por um médico às 7h.
“Pobre, trabalhando à noite, pelo sistema do INPS [Instituto Nacional de Previdência Social] não tinha muita opção. O médico podia ter aproveitado um toquinho para eu coçar o ouvido. Ele preferiu cortar tudo”, disse.
Lula também afirmou que sentia vergonha da ausência do dedo e tentava evitar que as pessoas reparassem em suas mãos. “Eu tinha preconceito. Eu tinha vergonha de usar aliança pro pessoal não ver meus dedos. Andava muito com a mão fechada”, relembrou.
A declaração de Flávio durante o debate repercutiu nas redes sociais. Usuários do X chamaram o senador de “capacitista” e defenderam o presidente.
Capacitismo é o preconceito ou a discriminação de pessoas com deficiência, que também pode se manifestar pela subestimação de suas capacidades.
A hashtag #SomosTodos9Dedos também ganhou repercussão na plataforma. A mobilização foi puxada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a expressão chegou à 5ª posição entre os assuntos mais comentados do X.
Durante o debate, Lula voltou a falar sobre o acidente que o levou a perder o dedo mínimo.
“Ele [Flávio] disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de 9 dedos, e eu quero que ele saiba de uma coisa. Se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Trabalhando à noite quando eu podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de 9 dedos”, declarou Lula.
O presidente completou a fala dizendo que Flávio “nunca trabalhou na vida” e cobrou um pedido de desculpas. O senador respondeu: “Não queria te ofender. Desculpas, de verdade”.
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