Redução no desmate diminui emissão de gases-estufa em 6%
As emissões brasileiras de gases do efeito estufa registraram queda de 6,1% em 2025, quando somaram 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo levantamento feito […]
As emissões brasileiras de gases do efeito estufa registraram queda de 6,1% em 2025, quando somaram 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo levantamento feito pela Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG).
Quando consideradas as emissões líquidas, descontando as remoções, houve emissão de 1,4 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Ao todo, o Brasil registrou remoção de 652 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2 e) no último ano, sendo 60% desse volume oriundo de áreas de florestas protegidas e 38% da vegetação secundária de áreas em recuperação.
“É um resultado bem positivo a nível nacional em função da redução das emissões de uso da terra, e mostra a importância e efetividade não só de continuar controlando o desmatamento, mas iniciar, de fato, medidas contundentes nos outros setores”, destacou o gerente de projetos no Instituto de Energia e Meio Ambiente, David Tsai, em coletiva de imprensa.
As emissões por mudanças no uso da terra responderam por 39% do total, puxada principalmente pelo desmatamento, e tiveram queda de 15%, passando de 957 MtCO2 e em 2024 para 814 MtCO2 e no ano passado.
De acordo com o Coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, apesar de positivo, o resultado obtido pode ser perdido caso as políticas de combate ao desmatamento sejam afrouxadas num possível governo de Flávio Bolsonaro.
“Ele já declarou que o governo dele vai ser que nem o do pai, mas não vai ser que nem o do pai, vai ser pior do que o do pai, porque o pai não tinha Câmara, Senado e Supremo”, destacou Angelo. Segundo ele, se não fossem os quatro anos de governo Bolsonaro, o Brasil já teria cumprido este ano a meta de reduzir de 59% a 67% em relação aos níveis de 2005 até 2035.
Na agropecuária, que responde por outros 30% das emissões, o resultado ficou praticamente estável com 626,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente emitidos em 2025, redução de 0,07%.
Trata-se da menor variação da série histórica, iniciada há 14 anos. A queda foi puxada principalmente pela redução de 1,68% nas emissões da pecuária, que atingiram 494,1 MtCO2 e no período.
Emissões por mudanças no uso da terra responderam por 39% do totalDe acordo com o coordenador da Iniciativa de Ciência do Clima do Imaflora, Gabriel Quintana, também é a primeira vez que o resultado total da agropecuária apresenta estabilidade mesmo com recorde na produção das atividades agrícolas. “Isso foi puxado principalmente pela redução de 1,7% do rebanho bovino entre 2024 e 2025, tanto o de corte quanto de leite, e isso trouxe uma menor emissão associada à pecuária”, explicou Quintana.
Do total emitido pela pecuária, 65,6% são atribuídas à criação de gado de corte, com 410,7 MtCO2 e, queda de 1,7% na comparação com 2024. A pecuária de leite emitiu 2,9% menos, com 48,6 MtCO2 e.
Segundo os pesquisadores, o principal fator para a redução das emissões da pecuária foi a queda nos níveis de fermentação entérica, que contabiliza o metano liberado pelo arroto do boi.
“Historicamente, a fermentação entérica é a principal fonte de emissões da atividade e sua redução deveu-se ao recorde no abate de bovinos e na produção de carcaças”, destacou o Observatório do Clima em nota.
Já a agricultura teve aumento de 6,45% nas emissões, com 132,1 MtCO2 e. O resultado foi puxado pelo subsetor de solos manejados, que reúne as emissões do manejo dos solos agrícolas e uso de fertilizantes e do dejeto de animais e da decomposição de resíduos agrícolas.
As emissões do subsetor de solos manejados somaram 188,6 MtCO2 e, alta de 3% em relação aos 183,2 MtCO2 e do ano anterior e o maior volume já registrado pela atividade.
O uso de fertilizantes sintéticos nitrogenados e o calcário responderam por 9,9% do total, com 33 MtCO2 e e 29,2 MtCO2 e, respectivamente. As demais fontes representaram 16,7% do volume emitido.
Nos demais setores, houve aumento de 1,2% nas emissões provocadas pela geração de energia, para 427 MtCO2 e, e de 4,3% na geração de resíduos, com 96 MtCO2 e. Processos industriais emitiram 94 MtCO2 e, estável ante 2024.
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