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Política

PT vai apoiar reeleição de Hugo Motta à Presidência da Câmara

Partido do presidente Lula entrou em bloco parlamentar que busca também isolar o PL; PCdoB e PV também confirmaram apoio

PT vai apoiar reeleição de Hugo Motta à Presidência da Câmara

O PT (Partido dos Trabalhadores) declarou nesta terça-feira (27) apoio à tentativa de reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a Presidência da Câmara dos Deputados, após uma reunião da bancada da sigla em Brasília, em um movimento para isolar o PL, de Flávio Bolsonaro.

O anúncio, feito em conjunto com o PCdoB e o PV, se deu dois dias após a virada histórica que confirmou o quarto mando do presidente Lula (PT). Os petistas esperavam o resultado do segundo turno para decidir sobre a disputa na Câmara.

Com isso, o número de parlamentares que integram legendas pró-Motta chegou a 361 –mais da metade dos 513 parlamentares da Casa e número maior que os 257 votos necessários para reelegê-lo. Juntos, PT, PCdoB e PV formam a Federação Brasil da Esperança.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou, em entrevista a jornalistas na Casa, que a decisão favorável a Motta foi tomada de forma unânime pela federação. O objetivo, segundo ele, é tentar assegurar a governabilidade de Lula e impedir que a direita trave o avanço de pautas prioritárias para a gestão.

"Também queremos que seja derrotado aqui [na Câmara] quem foi derrotado no domingo", declarou Uczai.

Jandira Feghali (RJ), líder do PCdoB, disse ainda que o movimento se dá pra evitar que o partido de Flávio Bolsonaro conquiste o comando da Câmara e do Senado. "A nossa responsabilidade é impedir isto porque nós sabemos o que eles significam e termos de democracia, de soberania e de direitos do povo."

Havia uma divisão no PT sobre o melhor momento para declarar apoio a Motta. Um grupo defendia que isso fosse feito ainda nesta semana, enquanto outra ala ponderava que seria melhor esperar até dezembro ou janeiro para negociar os termos do apoio ao deputado.

O argumento daqueles que defendiam a estratégia concretizada nesta terça é que a definição viabilizaria um bloco parlamentar que isola o PL. A sigla terá o maior número de deputados a partir do próximo ano e estuda lançar candidatos para o comando das duas Casas, além de mirar a presidência das principais comissões.

O PT conseguiu eleger, no último 4 de outubro a segunda maior bancada da Câmara, com 70 parlamentares. PCdoB fez 11 representantes, enquanto o PV conquistou 7 cadeiras. As siglas agora se juntam a outras 12 que também já anunciaram endossar a reeleição de Hugo Motta.

Na última semana, o PSB e o PDT foram as primeiras legendas mais alinhadas à esquerda a fazer esse anúncio. Um grupo composto por dez partidos do centrão, que reúne 252 deputados, foi o primeiro a declarar apoio a Hugo Motta. Fazem parte dele: o próprio Republicanos, PSD, MDB, Podemos e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade.

O voto, no entanto, é secreto, o que faz com que nem todos os deputados votem seguindo a orientação do partido.

Na tarde de segunda (26), Motta se reuniu com Lula e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada. Eles se reuniram a sós com o petista, sem a participação de ministros, e divulgaram uma foto juntos após a conversa.

"Diálogo, respeito institucional e compromisso com o futuro. Estivemos hoje com o presidente Lula para cumprimentá-lo e desejar êxito no novo mandato, reafirmar nosso compromisso de harmonia entre os Poderes e o trabalho conjunto do Congresso pelo avanço do Brasil", publicou Motta nas redes sociais.

Alcolumbre e Motta são as apostas do governo Lula para a governabilidade, já que, em 2026, o Senado e a Câmara terão uma maioria de direita.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Poder
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