Propostas econômicas e fiscais dos principais candidatos de 2026
Por Wellington Calobrizi. De continuidade à reestruturação profunda do pacto federativo, eleições reforçam visões distintas em questões estruturais para o país.
Embora os planos de governo oficiais ainda não tenham sido divulgados, com a consolidação de seus principais nomes, a corrida presidencial de 2026 já delineia seus contornos no campo das ideias econômicas.
Atualmente, o debate está centralizado, sobretudo, na sustentabilidade da dívida pública e na eficiência dos gastos governamentais, com propostas que variam de uma profunda ruptura fiscal e macroeconômica até um caminho de continuidade baseado em estímulo ao consumo e avanço da Reforma Tributária.
Com base em pronunciamentos e entrevistas recentes, análises na mídia e notícias oficiais dos partidos, apresento abaixo um pequeno resumo das propostas que começam a ser discutidas pelos cinco candidatos mais bem posicionados na disputa à Presidência da República, considerando a última pesquisa divulgada pela Nexus/BTG Pactual, no dia 27/04.
Lula: consumo, aposta nos ganhos da Reforma Tributária e regulação
Entrando na disputa pelo seu quarto mandato, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, teve na sua presente gestão uma forte agenda de estímulo ao consumo como vetor para a economia e deve centrar seu discurso na aprovação da Reforma Tributária, da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e em seus potenciais ganhos de simplificação fiscal para o país.
Dividido entre números razoáveis de crescimento e pressão pelo aumento dos gastos públicos, do custo de bens essenciais como a gasolina, Lula tem como desafio convencer o eleitor de sua capacidade em equilibrar o fortalecimento do PIB com a estabilidade da dívida.
Em um recente plano de metas divulgado no ano passado por sua equipe econômica – e que deve seguir como norte para um eventual próximo mandato – temos ainda apontamentos sobre transição ecológica na economia, a regulação das big techs, o aperfeiçoamento da Lei de Falências e a tributação dos chamados super ricos.
Flávio Bolsonaro e a necessidade da Reforma Previdenciária
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como principal candidato da oposição ao governo atual, fundamenta sua pré-campanha na crítica à excessiva carga tributária do país e na defesa da eficiência pública.
Sua plataforma econômica, coordenada por Rogério Marinho, classifica o atual arcabouço fiscal como uma "peneira" que perdeu a capacidade de disciplinar gastos e mantém juros elevados.
Flávio propõe, dentro desse contexto, uma revisão da Previdência, cujo modelo atual é descrito como prestes a "estourar" e indicando a possibilidade do desenho de uma nova sistemática previdenciária para o país. Outro ponto importante já citado pelo candidato inclui uma retomada da Reforma Trabalhista de 2017, para adaptá-la às novas tecnologias e dinâmicas do mercado.
Finalmente, a pauta de "menos tributos" mira diretamente o custo de vida cotidiano, como combustíveis e energia, buscando atrair o apoio do mercado financeiro e de setores produtivos, em pontos de atual desgaste no governo Lula.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apresenta a proposta de maior ruptura com o atual modelo de participação estatal na economia. Estruturado em "cinco pilares", suas propostas prometem a eliminação do Custo Brasil em quatro anos e privatização de estatais federais, sem exceções para ativos estratégicos como a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.
Zema defende também que chama de reforma da previdência "definitiva", com ajustes automáticos de idade e alíquotas baseados na expectativa de vida, além de uma flexibilização trabalhista que permita contratos negociados livremente, inclusive por jornada horária.
Fiscalmente, Zema aposta no corte drástico de gastos e no combate aos "supersalários" em Brasília como o caminho para reduzir juros e a inadimplência, complementado por uma abertura comercial gradual ao exterior através da redução de tarifas de importação.
Ronaldo Caiado e o enfrentamento do Custo-Brasil
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), busca se posicionar, em seus primeiros discursos, como um gestor pragmático com altos índices de aprovação em seu Estado e que busca, dentre outros pontos, enfrentar o Custo-Brasil, que ele estima em 23% para os empresários, devido à burocracia e corrupção.
Sua vitrine econômica inclui também o potencial de exploração de minerais críticos e terras raras, visando transformar o Brasil de mero exportador em um processador desses recursos através de parcerias com países como os Estados Unidos.
No campo fiscal, Caiado é um crítico severo da gestão Lula, classificando o aumento da dívida pública como um "colapso completo" e defendendo a emancipação social em substituição ao que chama de "assistencialismo populista".
Finalmente, o governador foca seu discurso em pacificação política como um caminho necessário para que haja foco exclusivo na gestão pública.
Renan Santos: Reestruturação Federativa no radar
Por fim, Renan Santos (Partido Missão) apresenta uma agenda focada no equilíbrio do modelo federativo e em reformas administrativas austeras e profundas, se colocando como um candidato de antagonismo direto ao modelo atual de gestão pública aplicado no país.
Sua proposta inclui da fusão de municípios economicamente inviáveis a criação de indicadores de desempenho para gestores locais, com a possibilidade de intervenção em casos de descumprimento de metas.
Nesse mesmo sentido, Santos critica o crescimento das despesas obrigatórias e defende o fim do reajuste automático de benefícios vinculados ao salário mínimo, além de propor a transição da Previdência para um modelo de capitalização.
Sua plataforma vincula, por fim, o ajuste fiscal diretamente ao enfrentamento do crime organizado como premissas para a retomada do crescimento, além de uma agenda forte de corte de impostos (tesouraço), como um caminho para o estímulo da liberdade econômica e atração de investimentos para o país.
O cenário de 2026 apresenta desde a continuidade de um projeto que aposta suas fichas nos ganhos da Reforma e sustenta seu discurso na redução de desigualdades via tributação da renda e sustentabilidade ambiental até projetos que priorizam a redução do tamanho do Estado, o foco na eficiência da gestão e que retomam o debate sobre previdência e custos trabalhistas.
A convergência entre os candidatos de oposição reside na crítica ao atual patamar de endividamento e no entendimento de que uma melhoria da administração pública é uma rota para a redução dos juros, enquanto o governo atual defende que o fortalecimento institucional e a regulação são os pilares para uma economia estável.
Em outras palavras: as peças começam a se colocar na mesa e o eleitor deve decidir que rumos dará para o jogo eleitoral.
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