Primeira comitiva empresarial brasileira vai à Venezuela após captura de Maduro
Ao menos 30 executivos discutem instalação de empresas em meio à reconstrução do país vizinho
Cinco meses após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, uma comitiva de empresários brasileiros visita a Venezuela, para entender o cenário político e econômico do país e discutir a instalação de empresas brasileiras por lá.
É a primeira missão oficial de empresários ao país vizinho neste ano. Ao menos 30 executivos estão dispostos a enxergar as oportunidades que a "nova Venezuela" oferece. A visita é feita em parceria com a embaixada do Brasil na Venezuela.
Lá, eles devem se encontrar com outros empresários. Na lista brasileira, executivos da Embraer, da JBS, Anfavea e entidades que representam os exportadores de carne e frutas.
Quem está à frente da delegação é o CEO da Alvorada Heavy Industries, Paulo Buzanelli, que comanda uma empresa petrolífera instalada no país vizinho desde 2023.
"Antes, me chamavam de maluco. Agora, dizem que sou visionário. Hoje, o cenário é bem mais favorável, uma grande oportunidade ao empresário brasileiro. São países de cultura similar e que têm interesses mútuos", disse Buzanelli ao Painel.
A avaliação que ele faz é que as restrições mais duras antes impostas por Donald Trump estão sendo retiradas ou ao menos mitigadas. Além disso, lembra que os dois países têm uma boa relação de longa data.
A ideia é incentivar empresários a estreitar as relações comerciais com a Venezuela neste período de reconstrução, antes que outros países ocupem esse espaço.
Buzanelli admite que são poucos os que se aventuram . "Ainda existem algumas incertezas e isso afasta o investidor mais cauteloso. Mas a missão vai mostrar as oportunidades que temos", disse.
Ele também organiza outra missão que será realizada em julho. Desta vez, será uma agenda política, com a presença de parlamentares das comissões de Relações Exteriores e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
Neste caso, o objetivo é promover encontros bilaterais com autoridades venezuelanas, tratar de comércio bilateral, integração energética e até cooperação regional na amazônia.
"Podemos ter uma aproximação em vários sentidos. O Brasil importa gás do Catar, por exemplo, quando pode trazer da Venezuela pelas estradas. O gás é usado hoje para operar as termelétricas aqui no Brasil", afirmou Buzanelli.