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Prefeitura de SP mantinha Credcesta, ligado ao Banco Master, até setembro

OUTRO LADO: Secretaria Municipal de Gestão diz que impediu novas operações com o cartão consignado no fim do ano passado

Prefeitura de SP mantinha Credcesta, ligado ao Banco Master, até setembro

Uma servidora aposentada moveu ação no mês passado na Justiça de São Paulo contra a prefeitura da capital paulista, o Banco Master e o Will Bank por venda casada de cartão consignado do Credcesta —um convênio que a instituição financeira de Daniel Vorcaro fez com estados e prefeituras, assim como com o INSS posteriormente, para a oferta de um cartão consignado a servidores públicos.

O processo começa destacando que o Credcesta vem sofrendo críticas, revisões e até auditorias, e lembra que seu operador, o Banco Master, é acusado de "corromper ativamente até mesmo as mais altas autoridades do país".

A servidora, que tem empréstimo consignado junto ao Credcesta desde 2022 e que ainda recebia cobranças até a ação ser protocolada na Justiça, em setembro deste ano, diz no processo ser vítima de uma série de práticas abusivas e falhas de prestação de serviços no Credcesta.

Consultada por e-mail, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou. A Seges (Secretaria Municipal de Gestão), da Prefeitura de São Paulo, disse à coluna que a PKL One Participações S.A., instituição que já era responsável pela administração do Credcesta antes de o Banco Master ser liquidado, está descredenciada como consignatária da Prefeitura desde 24 de setembro deste ano, "por não atender aos requisitos normativos exigidos".

A secretaria, porém, não deu mais explicações sobre quais normas não foram cumpridas pela empresa. A Seges acrescentou que, por decisão administrativa, desde dezembro de 2025, ou seja, logo após a liquidação do Master, a instituição já estava impedida de realizar novas operações.

Afirmou também que a contratação de crédito consignado é uma relação direta entre o servidor e a instituição financeira cadastrada. "No caso em questão, não houve qualquer ação ou omissão que possa ser atribuída à Prefeitura", disse a secretaria em nota.

Na ação, protocalada na 3ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública da Capital, a servidora aposentada afirma que, em 2022, ao notar a insistente oferta de cartões de crédito em seu portal de consignados, solicitou formalmente à Seges a remoção de tais ofertas, mas obteve como resposta que a disponibilização da margem para cartão era obrigatória, "ignorando o direito da servidora de não ser assediada com produtos não solicitados".

Após a insistência na oferta, ela diz no processo que acabou realizando saque vinculado ao cartão. Depois de quitar essa primeira operação sem maiores problemas, porém, ela efetuou nova contratação, mas ao tentar liquidar antecipadamente o segundo contrato acabou vivenciando "um calvário", segundo consta na ação.

O processo relata dificuldades de acesso ao Banco Master mesmo antes da liquidação e a um boleto para pagamento. Segundo consta no processo, a quitação exigia biometria facial por link de SMS. Sem encontrar respostas, a servidora tentou novamente contato com a Seges, mas diz que esta se isentou de resolver o problema e apenas a encaminhou o email do Master.

A servidora ficou sem resposta até maio de 2026, quando se dirigiu a uma agência do Banco Will em Pinheiros, sob a promessa de que haveria um posto de atendimento do Banco Central para resolver os problemas com o Banco Master. No local, foi surpreendida por uma funcionária que se apresentou como representante da instituição de Vorcaro e lhe entregou dois boletos de cobrança, um no valor de R$ 7.951,44 e outro de R$ 558,59, sem qualquer extrato ou explicação sobre a origem e evolução da dívida.

Na ação, a servidora pede uma indenização de R$ 8 mil, além da devolução em dobro de valores descontados em sua aposentadoria, somando um total de quase R$ 16 mil. Também pede a nulidade do cartão por venda casada ou, como alternativa, juros limitados à média do consignado. Por fim, quer a responsabilização solidária da prefeitura, por falha na escolha e na fiscalização do conveniado.

A ação se soma a diversas reclamações ao Credcesta por descontos não reconhecidos e ligações insistentes, já noticiados pela Folha.

Em março, o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Júnior, afirmou à Folha que o Credcesta é um cartão de benefício consignado com operação irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados.

Criado em 2018 por Augusto Lima, que depois se tornou sócio de Vorcaro, o produto se expandiu após ser operado pelo Master e foi um dos grandes motores de crescimento do banco.

O MPF (Ministério Público Federal) no DF, que investiga os consignados do Master por meio de um inquérito civil público, afirma que o salto exponencial do cartão consignado se deu "sem explicação econômica-empresarial evidente".

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
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