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Potências se desafiam em exercícios nucleares; veja vídeo

Rússia lança míssil de submarino enquanto EUA começam treinamento estratégico de ataque global

Potências se desafiam em exercícios nucleares; veja vídeo

Em meio ao acirramento das tensões na Europa e com a expectativa da retomada da guerra no Oriente Médio, três das quatro principais potências nucleares do mundo promoveram um balé atômico visando a demonstrar força.

Desde a semana passada, Rússia, Estados Unidos, França e Reino Unido realizaram exercícios com finalidades distintas, mas destinados a sinalizar aos adversários sua prontidão em caso de as múltiplas crises globais escalarem para confrontos maiores.

Nesta terça-feira (27), os EUA iniciaram seu exercício anual de prontidão nuclear, o Global Thunder. Os americanos não divulgam, ao contrário dos russos, números de equipamento e pessoal envolvidos na manobra, mas ela é a principal do calendário nuclear de Washington.

Nela é testado o nível de coordenação e rapidez de comando e controle em caso de uma crise nuclear. Voam modelos E-4B, os chamados "aviões do Juízo Final", que podem disparar o arsenal atômico do país do ar. A mobilização para o exercício começou já na semana passada.

No mar do Norte, caças britânicos F-35 escoltaram pela primeira vez bombardeiros americanos B-52, que com os furtivos ao radar B-2 formam o componente aéreo da tríade nuclear dos EUA. O restante é composto pelos mísseis lançados de silos Minuteman-3 e os Trident, disparados de submarinos.

No Global Thunder não costuma haver lançamentos físicos, mas sim o teste das capacidades até a hora de apertar o botão de disparo e, às vezes, simulações eletrônicas deles.

Menos sutis, os russos responderam ao Global Thunder disparando na quarta (28) um míssil Bulava de um de seus mais recentes submarinos estratégicos, o Generalíssimo Suvorov, em ação desde 2022.

A arma, que pode carregar em tempos de guerra estimadas seis ogivas independentes de até 150 quilotons (dez vezes a bomba de Hiroshima), voou do mar de Okhotsk, no Pacífico, até um campo de provas a mais de 8.000 km a oeste, próximo da península escandinava.

Cada submarino da classe do Suvorov pode levar até 16 Bulava, cujo desenvolvimento foi turbulento, mas foi declarado operacional em 2024.

Tal sinalização é comum entre as principais potências nucleares do planeta, que somam cerca de 90% do arsenal atômico do mundo, com ligeira vantagem para a Rússia.

Tradicionalmente, Moscou promovia o seu exercício anual de comando e controle, o Grom na mesma época que o Global Thunder e que o Steadfast Noon, essa a maior manobra nuclear anual da aliança militar Otan, que ocorreu há duas semanas. Mas, neste ano, dada a extrema tensão com a Europa e a pressão em campo na Ucrânia, Putin resolveu adiantá-lo para maio.

O fez com estilo: foi o maior exercício nuclear da história pós-Guerra Fria, envolvendo 64 mil homens e componentes de toda a tríade nuclear russa: além de submarinos de diversas classes, bombardeiros estratégicos Tu-160, Tu-22 e Tu-95 e disparo de míssil por lançador terrestre.

Na equação entraram, algo inédito desde a Guerra Fria, as potências nucleares da Europa: França, que tem o quarto maior arsenal, e o Reino Unido, com o quinto.

Desde a volta ao poder na Casa Branca, Donald Trump busca desengajar-se da defesa europeia. Isso levou os franceses a propor uma iniciativa, que já conta com dez países aderentes, de oferecer suas capacidades nucleares para a defesa contra a Rússia.

Paris faz parte da Otan, aliança militar liderada pelos EUA, mas suas forças atômicas sempre foram independentes.

Elas são compostas por mísseis lançados por quatro submarinos da classe Triomphant e modelos de cruzeiro disparados por caças Rafale, que por motivos óbvios são os ativos que podem ser posicionados em outros países.

No começo deste mês, o próprio presidente Emmanuel Macron teve seu momento Kim Jong-un e acompanhou um teste de míssil lançado por submarino em pleno mar, dizendo que o recado "era claro" para os russos, irritados com ameaças feitas a seu exclave europeu de Kaliningrado.

Além disso, os franceses unificaram seus centros de operação com os dos britânicos, que só contam com mísseis lançados de seus quatro submarinos nucleares. Na semana passada, os parceiros realizaram seu primeiro exercício conjunto.

Ele ocorreu sobre o Mediterrâneo, onde caças Typhoon de Londres escoltaram modelos Rafale num ataque nuclear simulado, com coordenação de aviões-radar e forças em solo. Neste caso, o recado foi duplo: para a Rússia, mas também para os aliados americanos, mostrando a complexidade do mundo atual.

Fora da dança ficou a China, terceira maior potência e em ascensão: tem mais de 600 ogivas, ante as quase 300 francesas e 225 britânicas, ainda longe das mais de 10.000 russas e americanas.

Apesar de aliado de Putin, o governo de Xi Jinping é cauteloso no tema, embora tenha feito um raro lançamento de míssil de submarino neste ano.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mundo
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