Porsche volta a ter lucro e descarta transferir produção para EUA
Montadora alemã anuncia lucro líquido de 387 milhões de euros (R$ 2,34 bilhões) no terceiro trimestre
Londres |Financial Times A Porsche afirmou que não cogita produzir seus veículos nos Estados Unidos, depois que sua controladora alemã, a Volkswagen, negociou um acordo com o governo Trump para a nova fábrica da Audi, de US$ 4 bilhões, na Geórgia.
Embora o crescimento no mercado norte-americano seja crucial para a Porsche, que busca compensar a queda acentuada das vendas na China, os baixos volumes de produção fariam com que a transferência da fabricação aumentasse a complexidade das operações, afirmou o diretor financeiro Jochen Breckner.
Os comentários foram feitos no momento em que a Porsche voltou ao lucro, ao mesmo tempo que avançava com uma reestruturação drástica que envolve o corte de 9.000 postos de trabalho e a venda de ativos não essenciais.
A fabricante de carros esportivos registrou lucro operacional de 387 milhões de euros (R$ 2,34 bilhões) no terceiro trimestre, ante prejuízo de 967 milhões de euros (R$ 5,84 bilhões) um ano antes, superando a previsão dos analistas, de lucro de 331 milhões de euros. As ações da Porsche subiram mais de 2%.
A receita trimestral recuou 7,5%, para 8 bilhões de euros (R$ 48,31 bilhões), com a continuidade da queda das vendas na China. Nos primeiros nove meses do ano, as entregas de veículos caíram 16%, para 178,5 mil unidades, com retração das vendas na China, na Alemanha e em outras partes da Europa.
O presidente-executivo da VW, Oliver Blume, negocia com o governo Trump há mais de um ano e prometeu "investimentos de grande porte" nos Estados Unidos na tentativa de fechar um acordo separado com Washington que reduza as tarifas sobre automóveis para menos de 15%.
Ainda não está claro, porém, se o investimento da Audi resultará em tarifas menores para o Grupo VW como um todo.
O presidente-executivo da Audi, Gernot Döllner, apareceu recentemente ao lado de Trump, durante um comício na Geórgia, para anunciar um investimento de US$ 4 bilhões (R$ 21,64 bilhões) na construção da primeira fábrica da marca no país. O executivo da Audi, no entanto, foi alvo de críticas dos sindicatos, e Daniela Cavallo, presidente do conselho de trabalhadores, classificou sua presença no comício como "altamente problemática".
Em um memorando interno enviado na segunda-feira aos funcionários da Audi, Döllner afirmou que sua decisão de comparecer foi "tomada exclusivamente para o interesse da empresa".
"Ao mesmo tempo, reconhecemos que o anúncio foi interpretado como uma sinalização de posicionamento político. Levamos isso muito a sério", comentou o executivo.
Questionado se a Porsche também cogitaria fabricar seu utilitário esportivo Cayenne nos EUA depois da construção da fábrica da Audi, Breckner afirmou que a empresa não tem planos de transferir a produção da Alemanha para os EUA, considerando a pequena escala de seus volumes.
Embora o uso de uma fábrica compartilhada pudesse gerar sinergias, "isso ainda acrescentaria complexidade às nossas operações. Ainda teríamos motores e outras peças que precisaríamos exportar para os Estados Unidos", afirmou Breckner. "Teríamos investimentos duplicados no que diz respeito aos fornecedores."
Ele acrescentou que não espera nada "positivo" em termos de alívio das tarifas americanas para a Porsche. "Estamos baseando nosso modelo de negócios na premissa de que as tarifas de 15% permanecerão em vigor", declarou. Trump disse que pode isentar a cobrança de taxa das empresas que passarem a fabricar os produtos nos EUA.
Sob o comando do novo presidente-executivo Michael Leiters, a fabricante de carros esportivos aposta em uma nova versão a combustão de seu modelo mais vendido, o Macan, prevista para 2028, e em preços mais altos para seus modelos de luxo a fim de recuperar os lucros. Até lá, porém, a empresa alertou que a recuperação levará tempo.
Ainda assim, houve alguns sinais iniciais de recuperação, com a margem de fluxo de caixa líquido da divisão automotiva dobrando em relação ao ano anterior, para 11,3%.
Enquanto isso, a Mercedes-Benz reduziu na terça-feira sua projeção anual devido a "um ambiente de mercado cada vez mais desafiador na China", provocando uma queda de 5% no preço de suas ações.
A montadora alemã, que divulgará seus resultados na quarta-feira (28), afirmou que agora espera uma margem de lucro operacional ajustado de 2% a 3%, ante a faixa anterior de 3% a 5%.
Comentários 0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.