Por que as caixas de som fazem tanto sucesso no Brasil?
Da boombox às caixas Bluetooth, a evolução da tecnologia acompanhou novos hábitos de consumo e consolidou esses aparelhos como parte da cultura brasileira
Seja nos bailes, nas festas, nos churrascos e até na concentração de jogadores de futebol antes das partidas, as caixas de som já são parte cultural do Brasil. É até fácil perceber o motivo: um país que tem uma relação intrínseca com a música e que passa, de geração em geração, o costume de se reunir entre amigos e familiares explica o sucesso deste eletrônico.
Ao longo dos anos, a mudança de comportamento e de preferências do público também moldou a evolução das caixas de som. Nas décadas de 1950 e 1960, a música era um acontecimento coletivo dentro das casas. Era nesse ambiente que as famílias se reuniam para ouvir rádio e discos, e o som ainda era um sinônimo de status social.
A partir de 1970, as discotecas e os bailes passaram a ganhar fama e público e fizeram os fabricantes apostarem na potência dos seus aparelhos. Na década seguinte, o consumidor parece ter valorizado ainda mais a portabilidade das caixas. A época ficou marcada pelo sucesso dos modelos Boombox, que viraram um ícone do movimento hip hop e atendiam principalmente aos jovens que se reuniam com amigos nas ruas ou em festas populares.
Com o passar do tempo, o consumo de música ficou mais individualizado, mas isso não tirou a demanda por dispositivos que atendessem momentos de socialização ou de música para ambientes internos. As caixas de som foram ganhando mais recursos e o grande ponto de virada foi a evolução da conectividade Bluetooth.
Diferentemente de mercados estrangeiros, onde o foco é o consumo indoor com alta definição e design, o consumidor brasileiro exige caixas de som "híbridas", segundo Bernardo Pontes, diretor executivo da Aiwa Brasil. A marca de tecnologia japonesa é uma das concorrentes da JBL no país e voltou ao mercado nacional em 2022 pelo Grupo MK (também dono da Mondial), após um hiato de 15 anos.
Eventos esportivos, como a Copa do Mundo, também são grandes impulsionadores desse sucesso, já que são marcados por comemorações e festas. A própria Aiwa tem o atacante da Seleção Neymar como embaixador.
Bernardo Pontes destaca que o mercado abandonou aparelhos grandes e cheios de fios graças aos avanços em eficiência energética e à capacidade de colocar alta fidelidade acústica em caixas menores. Hoje existem modelos que já aguentam mais de 30 horas de reprodução contínua com uma só carga.
A conectividade também passou a ser um requisito dos aparelhos. Os consumidores exigem um pareamento mais facilitado e um sinal estável, sem abrir mão da qualidade sonora, aponta o especialista. Ele afirma que, nesse quesito, a inteligência artificial não deve trazer uma grande evolução.
O hardware ainda tem um peso grande no desenvolvimento dos dispositivos, e segundo o representante da Aiwa, a IA pode ganhar mais espaço nos fones de ouvido.
A dica principal do especialista é entender como você pretende utilizar o produto. Entre as opções, se destacam:
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