Phantom Blade Zero é ou não é soulslike?
Os jogos soulslike explodiram em quantidade de títulos lançados e popularidade nos últimos anos. Esse estilo de game está tão forte que qualquer RPG de ação é a
Por Raphael Giannotti • Editado por Jones Oliveira | 06/11/2026 às 18:00
Os jogos soulslike explodiram em quantidade de títulos lançados e popularidade nos últimos anos. Esse estilo de game está tão forte que qualquer RPG de ação é automaticamente categorizado como um, e Phantom Blade Zero é um exemplo recente.
Com os primeiros trailers lançados, muitos associaram o combate do game ao de um jogo soulslike, mas classificar um título vai muito além de um só aspecto. Eu joguei (e ainda tenho jogado) Phantom Blade Zero para análise aqui no Canaltech e trago aqui alguns argumentos que dizem se o novo jogo da S-Game é ou não é soulslike.
Como dito acima, o combate é o principal ponto para muitos jogadores quando falamos desse gênero, mas a história e como ela é contada têm um papel fundamental também. Nos jogos Souls, principalmente a partir de Dark Souls, a narrativa é totalmente fragmentada e não segue uma linearidade. Todo início de qualquer um desses jogos apresenta somente uma introdução, deixando o resto totalmente solto.
O mais interessante é que boa parte da história é contada através das descrições dos itens e equipamentos. Por isso, para a compreensão total (ou quase) da história, é necessário analisar item por item, espada por espada, armadura por armadura.
Esse tipo de jogo não costuma oferecer cutscenes detalhadas e conta com poucos NPCs, que mais deixam as coisas confusas do que claras. Esse é o estilo de narrativa introduzido pelos jogos Souls, seguido por Bloodborne e Elden Ring. Ou seja, jogos da FromSoftware. Vale ressaltar que nem todos os títulos que se denominam soulslike seguem esse tipo de narrativa, o próprio Sekiro é um exemplo.
Phantom Blade Zero não segue essa lógica na hora de contar sua história. Ele é muito mais cinematográfico, com muitas conversas com NPCs, além de diversas cutscenes, a maior parte sendo de ação (que são incríveis, vale ressaltar). Então, esse aspecto não se encaixa na categorização para esse game.
Na maior parte do tempo, dificuldade e punição são atrelados ao combate. Afinal, esse é o principal ponto de um jogo soulslike. Mas a abordagem que quero trazer aqui tem a ver com respawn de inimigos e perdas de, principalmente, a moeda do jogo (como almas em Dark Souls), características marcantes desse gênero.
Não vemos isso em Phantom Blade Zero. A punição é, praticamente, zero nesse game. Se você morre, não perde nada. E, depois da morte, não terá qualquer resistência para trilhar o caminho novamente, já que os inimigos não retornam.
Além disso, os combates contra chefes (que são incríveis) são facilitados naqueles que têm múltiplas fases. Se você morrer na segunda ou terceira fase de um chefe, ao retornar, ele já estará naquela forma que você enfrentou por último. Eu já joguei muitos soulslike e nunca vi uma abordagem do tipo, uma decisão um tanto estranha.
Para fechar, Phantom Blade Zero tem níveis de dificuldade diferentes, algo que não vemos nos títulos mais, digamos, "puro". Essa é sempre a reclamação de uma parcela de jogadores que gostaria de experimentar determinado título soulslike, mas não consegue por conta da dificuldade. Nesse quesito, mais uma vez, o jogo não se encaixa.
Outro ponto importante quando olhamos para um soulslike. Quase nenhum conseguiu repetir a façanha introduzida no primeiro Dark Souls, que tem um level design exemplar e considerado uma obra-prima, mesmo que parte do mundo tenha tido o desenvolvimento acelerado para cumprir prazo de lançamento. Nem mesmo a própria FromSoftware fez algo semelhante outra vez, embora todos os jogos seguintes tenham entregado qualidade nesse aspecto (com exceção de Dark Souls 2).
Quando muitos começaram a comparar Phantom Blade Zero com soulslike, baseado nos trailers, o diretor do jogo, Soulframe, em entrevista ao Games Radar, teve que dizer que o game "é como os jogos Souls antes de Elden Ring" em termos de mapa. Então isso gera certa expectativa, mas como disse em minha análise, não foi isso que vi.
O mundo é incrível, muito bem feito visualmente falando, com grande variedade de cenários, mas quando consideramos o desafio de exploração que jogos soulslike têm, isso é inexistente em Phantom Blade Zero. Confesso que isso até me aborreceu, tamanha era minha expectativa.
O game conta com diferentes mapas que não são conectados no gameplay. Quando você chega no fim de um deles, o jogo carrega a entrada no novo cenário, geralmente com uma cutscene, e você não consegue voltar à região anterior sem a interrupção do carregamento.
Dentro de cada mapa, existe um pouco de vai e vem, principalmente quando você adquire chaves e habilidades específicas, mas não existe desafio algum no sentido de entender onde cada um deles precisa ser usado, já que o jogo entrega com marcações no mapa. Para fechar, a navegação é bastante simples; não existe a complexidade que vemos em Dark Souls ou em dungeons menores de Elden Ring.
Considerando tudo o que foi dito aqui, Phantom Blade Zero não é um soulslike, definitivamente. E eu nem toquei no combate, já que isso é mais abrangente: consideram Sekiro e Nioh como soulslike nesse sentido, então não vou afirmar que o novo jogo da S-Game não se encaixa nesse aspecto.
De qualquer forma, aproveite o game pelo que é: uma jornada com uma história intrigante, cenários belíssimos, cutscenes de ponta e um combate que o deixará viciado. E se você é PC gamer, dá uma olhada nos requisitos do jogo.
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