PF e PGR devem rejeitar delação de cunhado de Vorcaro
Depois da recusa de outras delações, investigadores não têm encontrado elementos para seguir com os acordos de colaboração. Leia no Poder360.
A proposta de delação do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como operador do fundador do Banco Master, deve ser rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR (Procuradoria Geral da República). Com a recusa das propostas apresentadas por Vorcaro e pelo ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), os investigadores não têm encontrado elementos suficientes para seguir com os acordos de colaboração.
Zettel está preso preventivamente desde março de 2025, sob suspeita de realizar pagamentos e intermediar ações do grupo “A Turma”, que serviria para intimidar adversários do Banco Master. Pouco depois das tratativas por uma delação de Vorcaro, Zettel acompanhou o cunhado e mudou a defesa, contratando o advogado Celso Vilardi (mesmo defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro), para apresentar uma proposta de acordo.
Contudo, a expectativa é que a proposta seja igualmente rejeitada pela PF e pela PGR, uma vez que uma das estratégias seria apresentar uma delação cruzada, entre Zettel e Vorcaro.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Banco Master, Zettel transita entre o mercado financeiro de alto padrão e a liderança religiosa na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte. Ele também comanda a Moriah Asset, fundo de investimentos focado no setor de wellness (bem-estar).
Zettel também foi responsável por viabilizar a aquisição de participação da empresa Maridt, da família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. O magistrado autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.