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O poliglota organizacional pelo desenvolvimento sustentável

Empreendedores de impacto social devem fomentar uma comunidade diversa de profissionais, capazes de

17/06/2026 10:41 Folha de S. Paulo 0 visualizações há 6 horas
O poliglota organizacional pelo desenvolvimento sustentável

Um dos maiores aprendizados ao passarmos por grandes empresas é compreender o interesse de cada departamento. Em multinacionais ou organizações sem fins lucrativos, cada área tem metas que deveriam convergir para o objetivo maior das empresas.

Ferramentas como o BSC (Balanced Scorecard) e metáforas como o voo dos gansos ou a canoa havaiana traduzem o mesmo princípio: só avança quem está em sincronia.

Porém, na realidade, temos que trabalhar com desafios que acontecem em várias organizações, como os conflitos de interesses ou a concorrência para os "carreiristas" que atrapalham o desempenho de outras áreas que não a deles.

Quem tem experiência no mercado sabe muito bem como funcionam estes processos, e, quando trabalhamos pelo desenvolvimento sustentável, não é diferente. Temos que estar a todo momento interagindo com profissionais e metas bem diferentes.

A Axios HQ 2024, relatório publicado pela plataforma de comunicação Axios HQ, revela que apenas 14% dos funcionários estão alinhados às metas organizacionais.

No Brasil, 78% das empresas buscam clareza estratégica, mas 51% ainda a apontam como obstáculo, segundo dados de 2025 da Ação Integrada e Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial).

Em sustentabilidade, o desafio é maior: trabalhar materialidade e impacto exige dominar o "financês", o "marketês", o "legalês" e outros idiomas que, nem sempre por acidente, complicam processos. Na prática de ESG, entender a linguagem de cada área é obrigação.

Os indicadores só funcionam quando toda a empresa age sobre as questões ambientais, sociais e de governança, alinhadas aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU.

Quem atua com empreendedorismo de impacto também precisa ser poliglota organizacional: dominar as linguagens técnicas de saúde, educação e outras áreas —não como jargão, mas como condição para que o impacto aconteça.

Soma-se a isso o domínio da gestão, como finanças e planejamento. Investidores, patrocinadores e doadores cobram tanto a parte técnica quanto a clareza sobre como o dinheiro é gerido. Falar o "financês" não é opcional.

Não seremos fluentes em todos os idiomas organizacionais ou técnicos de impacto. Então, como alguns autores demonstram, é fundamental ter uma comunidade ou se cercar de bons profissionais que consigam traduzir e conversar sobre estes temas.

Para o empreendedor solitário ou a ONG de um indivíduo, fica complicado. E é aí que ter bons amigos e conselheiros ativos é fundamental.

Em uma corporação ou em uma organização de impacto, profissionais de sustentabilidade precisam ser cada vez mais poliglotas, dominando o básico de cada área, da administração ao impacto positivo.

Só assim a sustentabilidade deixa de ser território dos "ecochatos" e "social boring" e passa a falar a língua do mundo organizacional, onde a transformação real acontece.

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