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Nasa lança missão inédita para rebocar telescópio no espaço

Plano prevê que espaçonave leve Swift para um órbita mais alta, evitando que se desintegre

Nasa lança missão inédita para rebocar telescópio no espaço

A Nasa e a startup Katalyst lançaram nesta sexta-feira (3) uma missão inédita para rebocar um telescópio espacial para uma órbita mais segura.

Inicialmente programado para terça-feira (30), o lançamento chegou a ser adiado devido ao mau tempo e, posteriormente, a problemas técnicos. A missão teve início às 5h36 desta sexta, a partir de um atol no oceano Pacífico.

O objetivo é salvar o Observatório Neil Gehrels Swift, da agência espacial americana. Swift, como também é chamado, vem observando galáxias distantes e buracos negros desde 2004, embora tenha sido originalmente projetado para o estudo de explosões de raios gama no Cosmos. O equipamento é avaliado em US$ 500 milhões (US$ 2,6 milhões).

Swift, sem capacidade de propulsão própria, está avariado. Segundo a Nasa, se nada for feito, ele deve naturalmente seguir em direção à Terra e se desintegrar na atmosfera até o fim deste ano.

Pensou-se, então, em uma missão para tentar evitar que isso ocorra. Em setembro, a Nasa contratou a Katalyst Space Technologies por US$ 30 milhões (R$ 155,8 milhões). A empresa fica em Flagstaff, no estado americano do Arizona.

A Katalyst projetou, construiu e testou a espaçonave Link dentro de nove meses. A ideia é que a nave, de meia tonelada, consiga se acoplar ao satélite avariado e o reboque para uma órbita mais alta e sustentável, potencialmente estendendo sua missão por anos. Mas tudo isso depende de um jato e de um foguete.

O jato em questão, um TriStar, decolou nesta sexta-feira de uma base aérea americana no atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall.

Voando a cerca de 12,2 mil metros sobre o Pacífico, ele deve liberar o foguete Pegasus XL, impulsionando-o em direção ao espaço. Dentro do compartimento de carga do foguete, estará a espaçonave Link.

Uma vez separada do foguete Pegasus, a espaçonave Link seguirá em uma viagem de um mês até as proximidades do Swift.

Se tudo correr conforme o planejado, a espaçonave voará até 9,6 km do observatório antes de iniciar sua aproximação final.

A espaçonave autônoma, equipada com três conjuntos de propulsores e cinco sistemas de sensores, deve então levar mais uma semana para se encontrar com o Swift e usar seus três braços robóticos, cada um equipado com garras em formato de mãos, para agarrar o satélite. A dupla deve orbitar a Terra a estimados 27.360 km por hora.

Uma vez que a espaçonave Link tenha firmemente agarrado o observatório, deve levar mais 60 dias para rebocá-lo até sua altitude-alvo de cerca de 600 km acima da Terra, o dobro da altura para a qual ele terá caído pouco antes do resgate, de acordo com a Katalyst.

Espera-se que a espaçonave complete sua missão principal de recuperação de satélite com combustível suficiente para manobras adicionais de proximidade.

Diante dos inúmeros riscos da missão, Shawn Domagal-Goldman, diretor da divisão de astrofísica da Nasa, declarou recentemente estar muito grato por ter "a oportunidade de ao menos tentar" salvar o telescópio.

A missão envolvendo Swift é a primeira americana desse tipo. Tudo vem sendo acompanhado de perto como um teste de uma tecnologia-chave de manutenção de satélites com potenciais aplicações militares.

"O Comando Espacial dos EUA se preocupa muito com isso, porque, em última análise, este é um elemento central da superioridade espacial", disse recentemente o CEO da Katalyst, Ghonhee Lee, à Reuters.

No ano passado, a China demonstrou dois satélites orbitando em proximidade, após um teste em 2022 no qual um satélite chinês agarrou outro e o puxou para uma órbita diferente. O teste preocupou autoridades americanas, que afirmaram que a China poderia um dia empregar tais táticas contra espaçonaves dos EUA.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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