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Museu cria arquivo 'inviolável' para preservar a cultura da Palestina

Apostando na tecnologia para preservar a memória e a cultura da Palestina das destruições causadas pelos conflitos no Oriente Médio, um museu localizado na Cisjordânia desenvolveu um arquivo digital que não pode ser apagado ou confiscado, mesmo que o acer

08/07/2026 17:00 André Luiz Dias Gonçalves TecMundo 0 visualizações há 3 dias
Museu cria arquivo 'inviolável' para preservar a cultura da Palestina

Composto por mais de meio milhão de registros históricos, o arquivo possui cópias de segurança distribuídas em diferentes lugares.

Apostando na tecnologia para preservar a memória e a cultura da Palestina das destruições causadas pelos conflitos no Oriente Médio, um museu localizado na Cisjordânia desenvolveu um arquivo digital que não pode ser apagado ou confiscado, mesmo que o acervo físico desapareça, conforme os responsáveis pelo projeto.

Com a maior parte das coleções nacionais destruídas, saqueadas ou sob o controle de Israel, o Museu Palestino de Birzeit investiu em um esforço de preservação digital ousado, que começou em 2018, segundo matéria da Wired. O “arquivo inviolável” reúne mais de 500 mil fotografias digitalizadas, documentos antigos, mapas, diários, filmes e cartas coletados de porta em porta nas casas de famílias palestinas.

Financiado por doações de imigrantes e parceiros como a Universidade da Califórnia e a Fundação Gerda Henkel, o “Arquivo Digital do Museu da Palestina” tem funcionários dedicados em tempo integral às digitalizações, pesquisas e metadados, apoiados por uma ampla rede de voluntários. As tarefas incluem catalogação, revisão linguística e traduções.

“Temos vários backups”, ressaltou o líder da iniciativa. “Não podemos protegê-lo de ataques cibernéticos, mas podemos protegê-lo de seu desaparecimento”, reforçou, lembrando que a estratégia também evita a perda dos materiais em caso de destruição física do museu na Cisjordânia.

Com a natureza distribuída do arquivo, a história da Palestina não fica restrita a um prédio ou servidor, já que as cópias de segurança espalhadas pelo mundo continuam preservando o conteúdo, como destaca a reportagem.

Além da preservação do patrimônio cultural local, a tecnologia possibilita o uso dos materiais digitalizados para pesquisas e exposições apresentando a história da Palestina. Basta baixar e imprimir os conteúdos disponíveis no acervo.

Entre eles, há uma bíblia do século XIX impressa em Jerusalém e um jornal palestino de 1930. Devido à fragilidade dos materiais, as páginas exigiram cuidados adicionais para serem desdobradas antes de passarem pelo processo de digitalização.

O projeto foi utilizado para mais de 260 exposições em todo o mundo, dos Estados Unidos ao Japão, com tradução para cinco idiomas. Na Espanha, um trabalho baseado no acervo teve mais de 15 exibições em diferentes cidades desde 2025, despertando grande interesse.

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