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Musculação reverte sinais de envelhecimento cardíaco em idosas, sugere estudo

Estudo brasileiro acompanhou 64 mulheres com média de 71 anos durante dois anos

Musculação reverte sinais de envelhecimento cardíaco em idosas, sugere estudo

A musculação pode reverter os sinais de envelhecimento cardíaco em mulheres com 60 anos ou mais. Esta é a principal conclusão de um estudo brasileiro que investigou os efeitos da prática sobre a saúde cardiovascular de idosas na pós-menopausa. O trabalho foi destaque na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, principal publicação científica do American College of Sports Medicine.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Gepemene (Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício), vinculado ao Cefe (Centro de Educação Física e Esporte) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A pesquisa avaliou durante dois anos 64 mulheres —33 no grupo treinamento e 31 no controle, todas saudáveis. A média de idade delas é 71 anos.

Pessoas com doenças crônicas como hipertensão e diabetes puderam participar, uma vez que estavam com comorbidades controladas. Nos dois grupos, houve controle da alimentação para a ingestão de ao menos 1,5 grama de proteína ao dia.

Três vezes na semana, o grupo treinamento realizou oito tipos de exercícios de musculação —quatro para membros inferiores e o restante para superiores. As mulheres cumpriram três séries de 8 a 12 repetições. As demais 31 mulheres mantiveram as atividades habituais.

As mulheres que não praticaram exercícios apresentaram aumento de 11% no índice de massa do ventrículo esquerdo —um indicador associado ao envelhecimento cardíaco. As que participaram do programa registraram redução de 5,5% no mesmo parâmetro.

Os benefícios dos treinos de força vão além: os pesquisadores observaram melhora nos níveis de colesterol LDL (10%) —conhecido como o ruim—, de glicemia em jejum (8,9%) e da pressão arterial, além do aumento da força muscular e da massa magra.

O cardiologista Ricardo Rodrigues, professor da UEL e um dos autores do estudo, explica que o marcador do envelhecimento cardíaco em pessoas normais é a função diastólica, o relaxamento do coração para receber o sangue que vem dos pulmões.

O coração enrijece por uma série de fatores, entre eles a obesidade, o estado inflamatório, a hipertensão e o próprio processo do organismo. As células musculares normais são substituídas por fibrose, como se fosse uma cicatriz.

Segundo Rodrigues, o coração contrai normalmente porque as fibras que sobram, ao longo dos anos, são capazes de fazer a função sistólica normalmente, mas não relaxa bem. Por isso, o sangue que vem do pulmão, particularmente quando a pessoa anda, não consegue extravasar para o coração e o resto do corpo, o que causa a falta de ar.

"A disfunção diastólica é muito comum em pacientes mais idosos, hipertensos e com obesidade. Andar e ter falta de ar pode ser um sinal de envelhecimento, de enrijecimento do coração, de que a função diastólica, que é do relaxamento, está piorando. E essa piora causa insuficiência cardíaca", explica o cardiologista.

"Quando você submete o paciente a exercícios, controla melhor a pressão arterial, diminui gordura abdominal, melhora o músculo e com isso você desinflama, diminui a concentração das moléculas que atuam para o envelhecimento do coração."

A insuficiência cardíaca acontece quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente, exigindo intervenção emergencial para evitar desfechos graves. A maior causa desta condição é a complicação do infarto. As outras são hipertensão e diabetes descontrolados, além de algumas doenças associadas à alteração do músculo cardíaco.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, estima-se que a doença afete 1,1% dos adultos brasileiros e 3,3% dos indivíduos com mais de 60 anos.

Até então, segundo o pesquisador, a musculação sempre foi colocada como coadjuvante nos esquemas de treinamento e não tinha destaque na melhora da função cardíaca. Na opinião do médico, a prática deve fazer parte da prevenção. "Não é apenas aumentar músculo, mas a função disso, que ajuda muito no dia a dia", diz Rodrigues.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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