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Michael Bloomberg arma lobby verde para enfrentar interesses do petróleo

Bilionário já doou mais de US$ 3 bilhões para causas climáticas em pouco mais de uma década

21/06/2026 09:01 Attracta Mooney Folha Mercado 0 visualizações há 23 dias
Michael Bloomberg arma lobby verde para enfrentar interesses do petróleo

Michael Bloomberg prometeu quase US$ 300 milhões para ajudar associações da indústria de energia renovável a enfrentar o bem financiado lobby do petróleo, ao mesmo tempo em que países ao redor do mundo enfrentam decisões políticas difíceis após a guerra no Oriente Médio.

O bilionário, que fez sua fortuna com terminais de dados onipresentes no setor financeiro, tornou-se um grande doador para causas climáticas, fornecendo mais de US$ 3 bilhões em pouco mais de uma década por meio de sua fundação familiar e seu braço filantrópico.

A Bloomberg Philanthropies anunciará mais US$ 590 milhões em financiamento ambiental, incluindo recursos para conservação dos oceanos e esforços para reduzir a poluição do ar, ao longo da Semana de Ação Climática de Londres, que começou no sábado e vai até 28 de junho.

A maior contribuição, de US$ 285 milhões, será destinada a apoiar a expansão das energias renováveis por meio de financiamento direto a associações do setor, além de dados e outros tipos de suporte.

A iniciativa de Bloomberg ocorre em um momento em que governos reavaliam planos futuros de energia após a recente crise energética, que levou alguns países a religar usinas a carvão e outros a acelerar projetos de energia renovável.

Grupos de lobby verde dizem que frequentemente carecem do poder político e institucional necessário para competir contra os interesses dos combustíveis fósseis, principalmente em mercados emergentes.

Bloomberg, que é enviado especial da ONU para soluções climáticas, disse que embora "a energia limpa seja agora mais barata que os combustíveis fósseis em praticamente todas as partes do mundo... obstáculos que são solucionáveis ainda estão desacelerando a implantação".

"Com a demanda por energia crescendo em velocidade sem precedentes", acrescentou, "não podemos permitir que esses obstáculos continuem impedindo custos de energia mais baixos para residências e empresas, e ar e água mais limpos para as comunidades."

Sonia Dunlop, diretora executiva do Conselho Global de Energia Solar, disse que em muitos mercados "a economia está favorável, os projetos estão prontos, mas o que nos desacelera é a lacuna de representação institucional e política".

O novo recurso será destinado principalmente a grupos do setor em países emergentes e em desenvolvimento, incluindo Índia, Indonésia, Vietnã, África do Sul, Quênia, Nigéria, Gana, Brasil, Filipinas, Colômbia e México.

As Filipinas se tornaram o segundo maior importador de painéis solares chineses este ano, enquanto países como Nigéria e Paquistão experimentaram booms solares nos últimos anos.

Segundo os planos de Bloomberg, o financiamento dobrará ou triplicará os orçamentos totais da maioria das associações de energia renovável visadas. O dinheiro também será usado para dados e análises econômicas, além de fornecer ajuda técnica para governos e reguladores e trabalhar em financiamento.

"A maior parte do crescimento energético mundial está acontecendo em países emergentes, e está acontecendo na eletricidade", disse Dave Jones, cofundador do think-tank de energia verde Ember, com sede em Londres. "O que está desacelerando a implantação são barreiras estruturais, entre elas a falta de qualidade de dados e análises para orientar decisões políticas."

Ele disse que o investimento de Bloomberg ajudaria a dar "às indústrias, governos e investidores as informações, métricas e previsões de que precisam" para impulsionar a expansão das energias renováveis.

O novo aporte segue um programa piloto realizado no último ano direcionado a cerca de 10 grupos, incluindo o Conselho Global de Energia Solar, a Associação de Energia Renovável do Quênia, a Associação da Indústria Fotovoltaica da Ásia e a Associação Solar do Paquistão.

Ailun Yang, que supervisiona o trabalho de transição energética na Bloomberg Philanthropies, disse que o novo financiamento ajudará a "aprofundar e ampliar" o impacto das associações beneficiárias, "redobrando a aposta em uma estratégia que já demonstrou resultados sólidos em um momento crucial para o setor de energia renovável".

Saliem Fakir, diretor executivo da Fundação Africana para o Clima, disse que o que falta quando se trata de energias renováveis no continente "não é o potencial, mas a infraestrutura institucional e as capacidades para desbloqueá-lo".

O anúncio foi feito enquanto dezenas de milhares de autoridades, executivos e membros do público eram esperados em Londres, que sedia uma das maiores semanas climáticas do mundo.

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