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Lula e Flávio vão em desespero rumo ao desempate

Na reta final da corrida ao Planalto os erros de cada um serão mais determinantes que os acertos

Lula e Flávio vão em desespero rumo ao desempate



A terceira semana de campanha do segundo turno vai começar com as pesquisas paradas no empate entre os dois finalistas, em cenário que não deixa de ser desafiante para o perdedor, mas é preocupante para o vencedor da etapa inicial.

No histórico desse tipo de embate o segundo colocado estaria praticamente fadado à derrota. A escrita permeou as análises do placar de 4 de outubro, segundo as quais nunca houve uma virada. Ocorre que tampouco havia registro de diferença tão pequena.

Num primeiro momento, a balança da tradição pendeu favoravelmente para o lado de Flávio Bolsonaro (PL) devido ao impacto da surpresa e em seguida pelo arrastão de apoios dos partidos que até então tinham se mantido na prudente distância da neutralidade.

Um segundo movimento criou ambiente melhor para o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) em decorrência das manifestações de rua, do rearranjo da campanha, do abraço do Congresso a medidas populistas e do uso sem escrúpulos da máquina pública. Lula pôde contar também com o salto alto do adversário, com o recolhimento amigo na corte suprema e o atrevimento inimigo no tribunal eleitoral.

A terceira semana, cujo marco inicial é o primeiro debate entre os oponentes, imagina-se que seja decisiva para o desempate a ser cravado nas urnas do próximo dia 25. A julgar pelo comportamento dos candidatos e pelas escolhas das campanhas, vislumbram-se dias de tensão e desespero.

Nesse período, os erros serão mais determinantes que os acertos. Tropeços podem derrubar, enquanto êxitos tendem a ser facilmente digeridos. Restam poucos votos a serem conquistados no estreito espaço do meio do qual Lula e Flávio procuraram se aproximar tentando mitigar as respectivas bandeiras da jornada de trabalho e da maioridade penal.

Com o paiol de munições esvaziado, chegam ambos à reta final sem projetos consistentes de país a oferecer, e o eleitorado na expectativa do que vai vencer: a onda da direita ou a força da caneta.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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