Lula discutirá ampliação do fundo do Mercosul no Paraguai
Presidente participa da cúpula em Assunção na 3ª feira (30.jun); encontro deve anunciar oficialmente as negociações com Japão. Leia no Poder360.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciará o aumento do investimento brasileiro no Focem (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul) na cúpula do Mercosul, realizada em 30 de junho em Assunção, no Paraguai. Atualmente, o Brasil é responsável por 70% do fundo, o que equivale a US$ 70 milhões.
Além disso, durante a cúpula deve ser formalizado o lançamento das negociações com do acordo com o Japão –tema que entrou em pauta na reunião bilateral entre Lula e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, durante a cúpula do G7. O país asiático não terá nenhuma autoridade para a reunião do Mercosul, mas enviará uma carta do governo em alto nível para a oficialização do início das tratativas.
O presidente Lula deve desembarcar em Assunção no dia 30 pela manhã e retornar no mesmo dia à tarde. Não há expectativa de que participe de reuniões bilaterais, mas ele se encontrará com os demais líderes ao longo da cúpula.
Além do petista, estarão presentes as seguintes autoridades:
Também participarão representantes de países associados. São eles:
Além das delegações nacionais, também foram confirmadas as presenças de representantes de organismos internacionais e regionais, entre eles a CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe), o Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata), o Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul, o Parlasul (Parlamento do Mercosul) e a Aladi (Associação Latino-Americana de Integração).
Antes da cúpula com os líderes, será realizada, na 2ª feira (29.jun,2026), a reunião do CMC (Conselho de Mercado Comum). O encontro reúne os ministros das Relações Exteriores e de áreas econômicas dos países membros.
Na cúpula, serão tratadas questões internas do bloco econômico, como ações voltadas para a segurança pública e uma maior integração regional.
Entre eles, estão a assinatura do acordo que possibilita o uso da CIN (Carteira de Identidade Nacional) como documento de viagem pelos países integrantes e associados ao Mercosul. Também haverá a assinatura de um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica –em sistemas como o Gov.br.
Visando a segurança pública –tema estratégico para a campanha de reeleição de Lula– houve um avanço ao longo do semestre na Estratégia Mercosul de Combate ao Crime Organizado Transnacional. O governo brasileiro deve apresentar uma proposta para um pacto contra o feminicídio e a violência contra a mulher.
Haverá a assinatura de um protocolo entre o Brasil e o Paraguai para regulamentar o transporte de pequenas cargas entre Foz do Iguaçu, Presidente Franco (Paraguai) e Ciudad del Este (Paraguai).
Em relação à Venezuela, apesar da declaração do vice-presidente Geraldo Alckmin de que a reintegração do país ao bloco será tema de discussão nessa cúpula, o Itamaraty informou que a questão não esteve na pauta da presidência paraguaia do bloco.
A presença do ministro de Relações Exteriores de Antígua e Barbuda mostra que há um desejo de aproximação da Caricom, apesar de não haver um acordo à vista neste momento.
O bloco também trabalha para lançar negociações de um acordo comercial com a República Dominicana. Também deve haver o lançamento oficial de negociações de um acordo de livre comércio Brasil-Panamá.
Também há um trabalho de aproximação com a Guiana e o Suriname. No caso do Suriname, a intenção é a negociação de um Acordo de Alcance Parcial, atualizando o tratado vigente desde 2005.
No caso da União Europeia, o acordo entre os blocos já foi concluído e está em fase de implementação e ratificação pelos países.
Não haverá discussões a respeito das questões sanitárias, já que é um assunto do Brasil com o bloco europeu, não do Mercosul como um todo.
Também houve avanços na implementação do tratado comercial com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio). O Congresso brasileiro já aprovou o acordo: agora, o governo deve depositar os instrumentos de ratificação para que ele entre em vigor à medida em que os demais países concluam os procedimentos internos.
Houve uma manifestação de interesse por parte do Reino Unido de iniciar negociações comerciais com o Mercosul. Segundo o Itamaraty, a negociação não começaria do zero, já que parte das discussões havia sido realizada quando o país ainda integrava a União Europeia.
O bloco também trabalha para ampliar o acordo de comércio preferencial com a Índia, expandindo o número de produtos contemplados e as preferências tarifárias. Já as negociações com os Emirados Árabes Unidos estão em estágio avançado e podem ser concluídas em breve. Enquanto isso, o Mercosul prepara a 1ª rodada de negociações de um acordo comercial com o Vietnã. Além disso, pretende retomar as tratativas com a Coreia do Sul, interrompidas em 2021.
O Mercosul mantém as negociações para um acordo comercial com o país norte-americano. As conversas seguem em andamento e fazem parte da estratégia de diversificação dos parceiros comerciais do bloco, mas não há previsão para a conclusão do acordo.