Lula acusa EUA de mentir sobre desmatamento para justificar tarifa
Governo afirma que redução da devastação desmonta argumento usado por Washington para elevar tributos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a contestar a proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. Nesta quinta-feira (11), o petista afirmou que os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar a medida não correspondem à realidade, especialmente no que diz respeito aos índices de desmatamento no Brasil.
Segundo Lula, esta seria a segunda vez que Washington utiliza informações equivocadas para embasar restrições comerciais contra o país. O presidente relembrou o episódio do ano passado, quando os Estados Unidos anunciaram tarifas sobre centenas de produtos brasileiros alegando um suposto desequilíbrio na balança comercial.
Lula ressaltou que a meta de zerar o desmatamento não decorre de imposições externas, mas de uma decisão do próprio governo brasileiro. Segundo ele, a iniciativa reflete o compromisso do país com a preservação ambiental e com o combate às mudanças climáticas.
A declaração foi feita durante visita à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), onde foram apresentados os dados mais recentes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). De acordo com o levantamento, o desmatamento na Amazônia caiu 61,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. No Cerrado, a redução foi de 12,2% no período.
A questão ambiental aparece entre os pontos analisados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na investigação que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O órgão cita o desmatamento entre as "práticas irrazoáveis" do Brasil.
Para o governo brasileiro, porém, os dados mais recentes reforçam que o país tem avançado na redução da devastação ambiental e que não há justificativa para a adoção de novas barreiras comerciais com base nesse argumento.
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