Lucro da Tesla cai com enfraquecimento das vendas de veículos
Lucro ajustado recua 4%, para US$ 1,7 bilhão, enquanto receita fica estável em US$ 28 bilhões
Nova York e Londres |Financial Times O lucro trimestral da Tesla recuou com a queda nas vendas tanto de automóveis quanto de sistemas de armazenamento de energia, um dia depois de Elon Musk afirmar que seria uma "boa ideia" fundir a montadora com a SpaceX.
O lucro líquido ajustado caiu 4% no terceiro trimestre, para US$ 1,7 bilhão (R$ 8,55 bilhões), na comparação com o mesmo período do ano anterior, informou a empresa nesta quarta-feira (21). O resultado ficou ligeiramente acima das expectativas de Wall Street, que projetavam lucro de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,04 bilhões).
A Tesla sofreu com a queda nas vendas de veículos elétricos. O aumento da demanda na Europa, impulsionado pelos preços dos combustíveis, não foi suficiente para compensar a perda dos incentivos à compra de carros elétricos nos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump. A receita ficou estável em US$ 28 bilhões (R$ 140,8 bilhões), em linha com as estimativas dos analistas.
O resultado foi divulgado depois que Musk anunciou, na terça-feira (20), que a Tesla e sua empresa de foguetes, a SpaceX, criaram comitês especiais para estudar uma megafusão entre os dois grupos. As companhias têm negócios diversificados, que incluem foguetes, satélites, redes sociais, robôs e automóveis.
A combinação, se aprovada pelos acionistas e pelos órgãos reguladores, aceleraria a mudança estratégica da Tesla, que pretende deixar de priorizar os automóveis para se concentrar em robótica e inteligência artificial. A operação também ampliaria o controle do homem mais rico do mundo sobre a montadora de veículos elétricos.
Há muito tempo circulam especulações sobre as ambições de Musk de promover uma fusão. Na semana passada, ele apresentou um carro esportivo "voador", chamado Roadster, que realizou cambalhotas e saltos com o auxílio de propulsores a gás frio desenvolvidos pela SpaceX.
As duas empresas também anunciaram, no início deste ano, uma joint venture para construir uma enorme fábrica de semicondutores, batizada de "Terafab", em Austin, no Texas. O projeto, que custará dezenas de bilhões de dólares, prevê a produção de chips para os veículos autônomos, os robôs e os centros de dados orbitais de inteligência artificial de Musk.
A mudança estratégica ocorre também em um momento em que as vendas de veículos elétricos da Tesla sofrem pressão diante do avanço da BYD e de outras montadoras chinesas.
Neste mês, a Tesla informou ter entregado 486.532 veículos nos três meses encerrados no fim de setembro. O número superou as previsões dos analistas, mas representou uma queda de 2% em relação aos 497.099 veículos entregues no mesmo período do ano passado.
O recuo ocorreu depois que a montadora retirou de linha, em janeiro, o utilitário esportivo X e o sedã de luxo S para concentrar esforços nos robôs humanoides Optimus, equipados com inteligência artificial, nos Cybercabs autônomos de cor dourada e no caminhão elétrico Semi.
Até agora, porém, a Tesla conseguiu realizar apenas testes limitados de seu serviço de robotáxis em algumas cidades do Texas e da Califórnia e ainda não vendeu nenhuma unidade do Optimus.
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